O setor de aplicativos de entrega vive um momento de forte tensão jurídica com o novo embate entre gigantes do delivery. A empresa brasileira iFood decidiu acionar a Justiça para conter o que chama de práticas abusivas.
A disputa envolve a plataforma chinesa Keeta e sua controladora, a Meituan, que estão sendo acusadas de cruzar linhas éticas no mercado. O foco central da denúncia é a suposta obtenção de dados sigilosos e sensíveis.
O processo detalha táticas que incluiriam o aliciamento de colaboradores para revelar estratégias fundamentais de mercado e inteligência de negócios, conforme divulgado pelo Estadão.
iFood processa Keeta e Meituan por suposta espionagem empresarial
Em uma ação movida na Justiça de São Paulo, o iFood acusa a Keeta e a Meituan de praticarem concorrência desleal. A empresa brasileira alega que a concorrente utilizou métodos ilícitos para crescer no Brasil.
A acusação central aponta que as empresas chinesas teriam usado dezenas de consultorias, tanto estrangeiras quanto brasileiras, para obter informações estratégicas. O objetivo seria acessar dados confidenciais mediante pagamento de quantias expressivas.
Segundo a denúncia, cerca de 140 funcionários do iFood teriam sido assediados por mais de 30 empresas de consultoria. Essas firmas ofereciam as chamadas “conversas remuneradas” para extrair detalhes internos sobre o funcionamento da plataforma.
Abordagens estratégicas e o uso de consultorias
O iFood argumenta que a maioria das consultorias envolvidas possui ligações diretas com a China. As abordagens teriam ocorrido justamente durante o período de preparação para a entrada da Keeta no mercado brasileiro.
A empresa brasileira afirma possuir documentos que comprovam reuniões remuneradas com ao menos um funcionário. Além disso, a ação menciona a identificação de pessoas com e-mails vinculados diretamente à gigante Meituan nessas interações.
Para o iFood, oferecer dinheiro a funcionários chave de um concorrente em troca de segredos não é uma prática comum de mercado. A empresa classifica a atitude como crime de concorrência desleal, previsto na legislação nacional.
O que diz a lei e as penalidades solicitadas
O grupo brasileiro baseia sua acusação no artigo 195 da Lei de Propriedade Industrial (LPI). O texto legal visa proteger as empresas de práticas que visem desviar clientela ou obter vantagens por meios fraudulentos ou desonestos.
Diante dos fatos apresentados, o iFood solicita a condenação da Keeta e o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão. Também são pedidos danos materiais, que devem ser calculados futuramente.
A intenção da plataforma é garantir que o ecossistema de delivery no país mantenha um ambiente ético. Em nota, a empresa reforçou que continuará identificando envolvidos para promover o respeito às leis vigentes no Brasil.
Defesa da Keeta e acusações de ataques coordenados
Por outro lado, a Keeta nega veementemente todas as acusações. A empresa afirmou que não contrata terceiros para abordar indivíduos em seu nome e que segue rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A plataforma chinesa contra-atacou, mencionando que a Polícia Civil investiga ataques de espionagem sofridos pela própria Keeta em Santos. Segundo o relato, indivíduos usaram credenciais falsas para obter dados de restaurantes locais.
Essas pessoas teriam buscado informações sobre pedidos, métodos de pagamento e remuneração de entregadores. A Keeta reiterou seu compromisso com a livre concorrência e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







