Deputada levanta ‘cheque em branco’ para Ibaneis

Câmara Legislativa do Distrito Federal vota projeto que autoriza governo distrital a fazer aporte no BRB e cobrir rombo do Banco Master. Crédito: TV Câmara Distrital

BRASÍLIA — O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), demitiu funcionários indicados por deputados da base aliada que votaram contra o projeto de socorro ao Banco de Brasília (BRB) e começou a entregar cargos e liberar emendas para parlamentares que votaram a favor.

Até segunda-feira, 2, o governo não tinha os votos necessários para aprovar o projeto, segundo o Estadão apurou. Eram necessários 13 deputados favoráveis, mas o Executivo contava como certos apenas nove. Deputados resistiam a aprovar o projeto em ano eleitoral, temendo desgaste com o Caso Master, ainda mais após terem aprovado a oferta de compra do banco pelo BRB no ano passado – negócio posteriormente barrado pelo Banco Central.

A situação levou o governo Ibaneis a se mobilizar para aprovar o projeto em 24 horas. O governador escalou o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e o secretário de Economia, Daniel Izaias de Carvalho, para convencer os deputados em uma reunião fechada. Foram quase 12 horas de conversa.

Souza levou um discurso por escrito afirmando que, se o projeto não fosse aprovado, o Banco de Brasília ia parar de funcionar e vários programas operados pela instituição ficariam paralisados, incluindo benefícios sociais, transporte público e distribuição de medicamentos de alto custo.

No final da reunião, o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), afirmou que havia os votos necessários e que o projeto poderia ser pautado no dia seguinte — o que ocorreu. Na semana anterior, ele havia demonstrado que havia resistências para aprovar a proposta.

Ibaneis tira cargos de quem votou contra e substitui por aliados de quem votou a favor

Três deputados da base do governo votaram contra o projeto de Ibaneis e foram retaliados com a exoneração de aliados em cargos de confiança: Thiago Manzoni (PL), Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante).

Na terça, logo após a votação, o governador exonerou quatro pessoas. Entre elas estão o diretor-presidente do Jardim Botânico de Brasília, Allan Freire Barbosa da Silva, ligado a Thiago Manzoni, e o administrador regional de São Sebastião, indicado por Rogério da Cruz.

Nesta quarta, mais 16 foram demitidos, incluindo o administrador de Sobradinho, Paulo Izidoro da Silva, e o de Sobradinho II, Diego Rodrigues Matos, apadrinhados por João Cardoso.

Procurado, Thiago Manzoni afirmou que os cargos são de livre escolha do governador. “Ele nomeia e exonera conforme a conveniência dele.” Rogério da Cruz disse que votou contra o projeto por entender, como auditor fiscal de carreira, que a proposta não resolve a situação do BRB e que não houve as alterações necessárias. “Os cargos pertencem ao governo, e não ao deputado, por isso continuo trabalhando de forma técnica.”

Segundo o Estadão apurou, Ibaneis colocou substitutos indicados por deputados distritais que ficaram a favor do governo na votação e entregou mais cargos para os parlamentares fiéis. O governador nomeou Bryan Rogger Alves de Souza, secretário-executivo do gabinete do deputado Pastor Daniel de Castro (PL), como secretário de Projetos Especiais do Distrito Federal.

Eufrasio Pereira da Silva virou administrador regional de Sobradinho, contemplando o deputado Pepa (PP). Rafael Rodrigo da Silva, por sua vez, foi escolhido como novo administrador de Sobradinho II, em aceno à deputada Doutora Jane (Republicanos).

Em nota, Pastor Daniel disse que integra a base do governo há cerca de três anos e que a indicação “não tem absolutamente nenhuma relação com a votação recente envolvendo o BRB.” A assessoria de Pepa confirmou que o deputado fez a indicação, mas negou que a nomeação tenha relação com o projeto do BRB. Os demais parlamentares não comentaram.

Governo começa a liberar emendas após votos favoráveis

Após a votação, Ibaneis também começou a liberar emendas para aliados que votaram a favor. São recursos indicados por deputados distritais no orçamento do Distrito Federal.

Somente entre terça e quarta, foram empenhados R$ 1,8 milhão em emendas, sendo R$ 1,1 milhão do deputado Daniel Donizet (MDB) e R$ 650 mil de Robério Negreiros (PSD). O empenho é o primeiro sinal que o recurso será pago e corresponde à primeira etapa de execução da emenda no Orçamento.

Nos próximos dias, mais emendas deverão ser liberadas, segundo interlocutores do governador. Aliados de Ibaneis lembram que todos os deputados podem indicar emendas no orçamento, mas os aliados sempre entram na frente na hora de receber. Desde o início do ano, o governo empenhou R$ 10,7 milhões em emendas. Nenhum parlamentar da oposição foi contemplado.

A assessoria de Daniel Donizet afirmou que a decisão do governo não tem nenhuma relação com a votação e que a liberação de emendas segue o fluxo normal para todos os deputados distritais. Os demais não comentaram.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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