Henrique Meirelles, um dos nomes mais influentes da economia brasileira, trouxe à tona revelações importantes sobre os desafios de manter a estabilidade financeira no país.

O ex-presidente do Banco Central explicou que a resistência da inflação e as taxas de juros elevadas não são escolhas arbitrárias, mas o resultado de traços estruturais da economia.

Durante a conversa, Meirelles relembrou momentos de grande tensão e pressões políticas que enfrentou enquanto comandava a autoridade monetária, conforme divulgado pelo Estadão.

Os motivos por trás da Selic elevada no Brasil

Segundo o ex-ministro, a indexação da economia e o crédito direcionado são os grandes vilões que impedem a Selic de atingir patamares muito mais baixos, como ocorre em outros países.

Para ele, o Banco Central não possui ferramentas para interferir nessas variáveis específicas. “A taxa é alta porque a economia ainda é indexada; o Plano Real não conseguiu resolver esse problema”, afirmou.

Meirelles destaca que a indexação está presente em contratos de aluguel e negociações salariais, o que torna a inflação muito mais resiliente e difícil de ser combatida sem juros altos.

O impacto do crédito direcionado na economia

Outro ponto crucial citado por Henrique Meirelles é o crédito direcionado, que possui taxas inferiores ao custo de mercado, o que acaba reduzindo o efeito das decisões do Copom.

Ele explica que, mesmo quando o Banco Central eleva a taxa básica, muitas operações não repassam esse custo na ponta final, diminuindo o efeito multiplicador da política monetária no Brasil.

Dessa forma, o esforço para controlar a atividade econômica e os preços acaba sendo maior do que em nações onde o mercado de crédito é mais livre e menos fragmentado por subsídios.

Bastidores e pressões políticas no Copom

Meirelles relembrou que, em 2007, sofreu forte pressão para baixar os juros devido ao Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC, mas manteve a independência técnica da instituição.

“Recebi pessoalmente ligações de pessoas do governo que disseram: ‘Olha, eu nunca te pedi nada. Hoje eu vou fazer um pedido: você tem que cortar a taxa de juros’”, revelou o economista.

Sua resposta foi direta: “fique tranquilo que nós vamos tomar a melhor decisão para o País”. Naquele ano, a taxa não foi cortada e o Brasil cresceu 5%, superando as metas do próprio governo.

A crise de 2008 e o reconhecimento mundial

Um dos momentos mais marcantes de sua gestão foi a crise financeira de 2008. Meirelles agiu rápido ao vender bilhões em câmbio futuro, o que evitou a quebra de diversas empresas brasileiras.

A estratégia foi tão bem-sucedida que ele chegou a ser aplaudido de pé por presidentes de outros bancos centrais em uma reunião na Suíça, reconhecendo a solidez da política brasileira na época.

Atualmente, o ex-ministro defende a autonomia financeira e administrativa do Banco Central através de uma PEC, acreditando que isso trará ainda mais valor e segurança para as decisões do Copom.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a entrevista completa no site Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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