Os recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações iranianas desencadearam uma série de retaliações que agora afetam o mercado global de energia. O Irã atingiu o terminal de gás natural Ras Laffan, no Catar, e bloqueou o Estreito de Ormuz, causando rupturas na cadeia de suprimentos de petróleo e gás. Conforme divulgado pelo Estadão, essas ações aumentaram os preços do barril e pressionam economias ao redor do mundo.
Com a produção de 20% do GNL mundial reduzida em 17% e a interrupção de um quinto do petróleo global, a crise ameaça prolongar a dor econômica por meses ou até anos. A situação já força países em desenvolvimento a racionar combustível e subsidiar energia para proteger os mais vulneráveis.
Especialistas alertam que a destruição de infraestrutura energética pode gerar estagflação, combinando inflação alta e crescimento baixo, e elevar a probabilidade de recessão nos EUA e em outras economias avançadas.
Impactos imediatos nos mercados de energia
O ataque ao terminal Ras Laffan, em 18 de março, eliminou 17% da capacidade de exportação de GNL do Catar, com reparos estimados em até cinco anos, segundo a QatarEnergy. Ao fechar o Estreito de Ormuz, o Irã bloqueou a passagem de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, o que a Agência Internacional de Energia descreveu como “a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo”.
O preço do barril Brent subiu 3,4%, fechando em US$ 105,32, enquanto o petróleo de referência dos EUA avançou 5,5%, alcançando US$ 99,64. “Historicamente, choques no preço do petróleo como este levaram a recessões globais”, observa o economista Christopher Knittel, do MIT.
Escassez e alta de fertilizantes prejudicam agricultores
O Golfo Pérsico fornece um terço da ureia e um quarto da amônia mundiais. Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, os preços da ureia subiram 50% e da amônia 20%. O Brasil, que importa 85% dos fertilizantes, fica particularmente exposto, alerta a estrategista Kelly Xu, da Alpine Macro.
Racionamento de gás e restrição ao ar‑condicionado
Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, afirmou que nenhum país ficará imune se a crise persistir. Na Ásia, onde mais de 80% do petróleo e do GNL passam pelo estreito, Filipinas e Tailândia já reduziram o uso de ar‑condicionado e elevadores em serviços públicos.
Crise energética afeta a economia dos EUA
Embora os EUA sejam exportadores de petróleo e possuam abundante GNL doméstico, o aumento da gasolina – que chegou a quase US$ 4 por galão – pesa nos consumidores. A economia americana já mostrava sinais de fraqueza, com crescimento anual de apenas 0,7% no último trimestre, e a probabilidade de recessão no próximo ano subiu para 40%, segundo Gregory Daco, da EY‑Parthenon.
Perspectivas de recuperação lenta
Os danos às instalações de GNL do Catar e às refinarias do Kuwait podem levar anos para serem reparados, afirma Lutz Kilian, do Federal Reserve Bank de Dallas. Enquanto isso, o risco de estagflação permanece alto, segundo Carmen Reinhart, da Harvard Kennedy School.
Em resumo, a guerra no Irã não só eleva os preços do petróleo, mas também cria um gargalo energético que pode retardar a recuperação econômica global por um período prolongado. A fonte original é a Estadão.







