Relatórios recentes da Polícia Federal revelam que ex-diretores do Banco de Brasília (BRB) tinham plena consciência da fragilidade nas operações envolvendo o Banco Master.
As investigações apontam que critérios técnicos foram ignorados para permitir a compra de carteiras de crédito bilionárias, as quais, posteriormente, foram apontadas como falsas.
O esquema resultou no indiciamento de 15 pessoas por crimes financeiros, após a descoberta de diálogos comprometedores entre a cúpula do banco público, conforme divulgado pelo Estadão.
Flexibilização de critérios e o alerta ignorado pela cúpula do BRB
As conversas transcritas pela PF mostram que o ex-superintendente Robério Mangueira e o ex-diretor Dario Garcia discutiam abertamente o receio sobre as operações financeiras com o Master.
Em um dos trechos mais graves de 2025, Dario questionou Robério se ele teria coragem de “fazer na tora”, indicando uma pressão para liberar recursos sem as devidas garantias técnicas.
A investigação revelou que o BRB costumava adquirir carteiras com inadimplência máxima de 4%, mas esse teto foi flexibilizado para 12% para beneficiar a instituição de Daniel Vorcaro.
O rombo de bilhões e as carteiras falsas detectadas
A PF identificou que o Banco Master cedeu cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos ao BRB, mas, desse total, ao menos R$ 12 bilhões foram considerados fraudulentos ou inexistentes.
Mesmo com pareceres internos indicando que a operação agravaria o desenquadramento prudencial do banco e que “não tem condição de comprar nada”, os aportes continuaram sendo realizados.
Segundo os investigadores, o BRB chegava a emprestar dinheiro para que o próprio Master conseguisse honrar dívidas anteriores com o banco público, em um ciclo financeiro perigoso.
“Estou assustadíssimo”: O pânico nos bastidores do banco
Em abril de 2025, Robério manifestou pânico após notícias sobre falsidade em bases de dados, afirmando textualmente em mensagens: “Estou assustadíssimo aqui. A conclusão foi: não tem carteira”.
Apesar do alerta interno de que o banco e os próprios diretores estavam expostos, o planejamento para manter o fluxo de recursos seguiu adiante, ignorando os riscos de conformidade.
A PF também analisou conversas entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Vorcaro, onde inconsistências salariais de clientes eram tratadas apenas como um “retrabalho”.
Defesa alega cumprimento de ordens e desconhecimento
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou, em nota, que ele não tinha conhecimento das irregularidades e que apenas seguiu orientações do acionista majoritário, o Governo do Distrito Federal.
Os advogados sustentam que o ex-presidente agiu no melhor interesse do BRB e que todas as decisões eram colegiadas, ressaltando que ele mesmo teria detectado fraudes e acionado o Banco Central.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o momento. O caso segue sob análise da Procuradoria-Geral da República para decidir sobre possíveis denúncias criminais contra os envolvidos.
A fonte original desta notícia é o [ESTADÃO] e você pode conferir o conteúdo completo em: https://www.estadao.com.br/economia/diretor-diz-que-brb-afrouxou-criterio-para-comprar-ativos-do-master-estou-assustadissimo/







