A disputa pela presidência da República ganha novos contornos com propostas econômicas que buscam atrair setores específicos. O foco da vez está na retomada de benefícios fiscais importantes.
O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou que pretende ressuscitar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, o Perse, caso seja eleito para comandar o país no próximo pleito.
A medida visa dar um fôlego financeiro para produtores de shows, cultura e turismo, áreas que ainda buscam estabilidade total após períodos de crise, conforme divulgado pelo Estadão.
O que é o Perse e a nova promessa de Flávio Bolsonaro
O Perse foi idealizado originalmente em 2020 para mitigar os impactos da pandemia em empresas de eventos, bares e restaurantes. Flávio agora promete retomar a política de renúncia fiscal para esses setores.
Em suas redes sociais, o candidato afirmou: “Vou restabelecer o Perse para todos os setores de eventos culturais, shows e turismo, que hoje estão sufocados”, buscando atrair o apoio da classe artística.
Segundo o político, salvar o setor de shows gera um efeito cascata positivo, pois onde há eventos, o comércio vende mais, motoristas de aplicativos faturam e pequenos artistas conseguem prosperar na economia local.
O histórico e os desafios do programa tributário
Embora criado em 2020, o benefício só foi sancionado em 2021, enfrentando resistência inicial do então presidente Jair Bolsonaro. A regulamentação completa só ocorreu no final de 2022, já perto da nova gestão.
As empresas que conseguiam se habilitar no programa ficavam isentas de recolher tributos federais importantes, como o PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, o que representava um alívio significativo no caixa das companhias.
O programa passou a valer efetivamente em 2023, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas sempre sob críticas severas da equipe econômica, que buscava restringir ou extinguir o benefício fiscal.
Extinção e críticas sobre a renúncia fiscal
O Perse acabou sendo extinto em 2025 após atingir o teto de R$ 15 bilhões em renúncia de impostos, limite este que foi fixado por lei, embora dados do Fisco indiquem que o custo real foi maior.
De acordo com a Receita Federal, o impacto financeiro chegou a R$ 21,5 bilhões, somando os anos de 2024 e 2025. Esse valor excedente foi um dos principais argumentos para o encerramento da iniciativa.
Ao longo de sua vigência, o programa também foi alvo de polêmicas por beneficiar celebridades e influenciadores digitais de alto faturamento, o que gerou questionamentos sobre a real finalidade social da medida.
Impacto econômico e visões divergentes
Enquanto Flávio Bolsonaro defende que a isenção faz a economia girar, a atual gestão econômica demonstra preocupação com o equilíbrio das contas públicas e a eficácia de manter renúncias para setores específicos.
O debate sobre o Perse deve se tornar um dos pilares da discussão econômica entre os candidatos, opondo o incentivo direto via impostos à necessidade de arrecadação do governo federal para investimentos públicos.
A fonte original é o Estadão.






