O fim da escala 6×1 está movimentando o Congresso Nacional. Trabalhadores sonham com mais folgas e menos esgotamento, enquanto empresas temem demissões em massa. Uma pesquisa recente mostra apoio maciço da população.

A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas, com dois dias de descanso. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, destacou estudo do Ipea que indica viabilidade econômica, conforme divulgado pelo Estadão.

O debate ganha força em ano eleitoral. Com 73% dos brasileiros a favor, segundo a Nexus, o tema pode ser votado ainda no primeiro semestre. Mas há resistências fortes de economistas e indústrias.

Avanço da PEC no Senado e Câmara: redução gradual sem perda de salário

A PEC 148/2015 foi aprovada na CCJ do Senado e encaminhada na Câmara por Hugo Motta. A mudança ocorre em etapas: primeiro ano mantém regras atuais, depois passa para dois descansos semanais e cai para 40 horas em 2027, chegando a 36 horas em 2031.

Os empregadores não podem cortar salários para compensar. Serão 38 milhões de celetistas beneficiados, impactando 120 milhões de brasileiros indiretamente. A PEC 221/2019 também tramita na CCJ da Câmara com sinal verde do presidente da Casa.

73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6×1, revela pesquisa Nexus

Pesquisa da Nexus, com 2.021 entrevistados em todas as unidades da Federação, mostra que 73% querem o fim da 6×1 sem redução salarial. 84% defendem pelo menos dois dias de folga semanal. 62% conhecem o debate e 52% creem na aprovação.

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destacou o apoio amplo à Agência Brasil. Sindicatos como UGT pressionam contra versões que mantêm 44 horas disfarçadas. O movimento cresceu com debates sobre saúde mental e produtividade.

Estudo do Ipea: economia suporta 40 horas, mas custos sobem 7,84%

Nota técnica do Ipea, baseada na RAIS 2023 com 44 milhões de celetistas, conclui que a redução para 40 horas eleva custo médio em 7,84%, mas com efeitos reduzidos nos totais setoriais. Gleisi Hoffmann celebrou: economia suporta perfeitamente.

Maioria trabalha 44 horas semanais. Defensores citam tendências globais de semanas de 4 dias, melhor engajamento e menos afastamentos em comércio e serviços.

Riscos econômicos: 640 mil demissões e alta na informalidade

Contraponto vem de economistas. CLP estima corte de 640 mil empregos formais por queda de 0,7% na produtividade. FIEMG prevê perda de até 16% no PIB sem ganhos de eficiência. Aumento de custos pode impulsionar informalidade e automação.

Gazeta do Povo alerta para desemprego, inflação e informalidade ignorados pelo governo Lula. Deputados como Kim Kataguiri veem manobra eleitoral. O texto original é do Estadão e pode ser acessado aqui.

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