A paixão pelas figurinhas da Copa tomou um rumo inesperado nos supermercados brasileiros. Garrafas de refrigerante estão sendo violadas por colecionadores em busca de itens exclusivos escondidos.
A estratégia de marketing, que posicionava os cromos no verso dos rótulos, acabou gerando prejuízos operacionais. Muitas unidades foram deixadas sem identificação nas gôndolas, o que impede a venda correta.
Analistas de mercado afirmam que o cenário de vandalismo era previsível, considerando o alto valor simbólico dos itens colecionáveis e a fragilidade da embalagem, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto das figurinhas da Copa nas gôndolas brasileiras
Em abril, a Coca-Cola iniciou a venda de uma edição especial de garrafas de 600 ml e 2,5 litros contendo figurinhas da Copa exclusivas, em uma parceria estratégica com a editora Panini.
Como os itens estão no verso dos rótulos, houve diversos relatos de embalagens violadas. Como o refrigerante não pode ser vendido sem o código de barras, os produtos danificados precisaram ser substituídos.
A companhia não informou a quantidade exata de garrafas avariadas, mas ressaltou que a promoção registrou resultados positivos e elevada adesão dos consumidores, apesar das situações pontuais de furto.
Falha na previsão de riscos operacionais
Para Lígia Maura Costa, coordenadora na FGV, o caso não era imprevisível. Ela considera que houve uma falha de gestão ao não prever o contexto favorável aos furtos das valiosas figurinhas da Copa.
A especialista afirma: “O risco de vandalismo às embalagens para extração do prêmio sem a compra era perfeitamente mapeável, identificável, e poderia ter sido mitigado na fase de design da promoção.”
Dario Menezes, da Caliber Consultoria, concorda que faltou planejamento operacional. Para ele, o tamanho do evento e a mobilização dos colecionadores exigiam cenários de risco muito mais detalhados.
O alvo fácil criado pelo design da embalagem
O especialista Luciano Malara acredita que, quando o valor do brinde supera o esforço de burlar a embalagem no ponto de venda, o produto vira um alvo fácil para quem busca as figurinhas da Copa.
Segundo ele, a combinação de escassez percebida, o baixo custo do ato de descolar o rótulo e o contexto emocional elevado da competição criava um cenário de risco que deveria ter sido antecipado.
Malara pontua cinco dimensões de risco, incluindo o risco operacional, onde a mecânica de colocar o brinde no rótulo cria vulnerabilidade física imediata, e o risco reputacional pela desordem gerada.
Como a Coca-Cola está lidando com a crise
Em nota oficial, a Coca-Cola Brasil esclareceu que não compactua com práticas inadequadas e está orientando os consumidores a não adquirirem produtos que apresentem sinais de violação nos rótulos.
A empresa colocou seus canais de atendimento à disposição para suporte. Estabelecimentos com embalagens danificadas podem acionar os times comerciais para a substituição imediata dos itens afetados.
Embora a campanha tenha enfrentado problemas com as figurinhas da Copa, a marca reforça que a iniciativa é realizada desde 2022 e sempre apresentou um engajamento muito positivo junto ao público.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir o conteúdo completo em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







