O cenário financeiro brasileiro foi sacudido por novas revelações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master. Relatórios indicam uma relação perigosa entre o banqueiro Daniel Vorcaro e um ex-diretor do Banco Central.

As investigações sugerem que normas foram alvo de tentativas de manipulação para favorecer a venda de letras financeiras. O esquema envolveria cifras milionárias e uma proximidade alarmante entre o setor privado e o órgão regulador.

De acordo com as provas colhidas pela PF, o ex-diretor era visto como uma peça-chave para destravar interesses específicos do banco, conforme divulgado pelo Estadão.

O papel do ‘anjo’ nas decisões do Banco Central

O banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no escândalo que atinge o Banco Master, mantinha contato frequente com Paulo Sérgio Neves de Souza. Nas mensagens interceptadas, o empresário se referia ao ex-diretor como um “anjo na vida”.

A Polícia Federal suspeita que Paulo Sérgio tenha recebido ao menos R$ 4,8 milhões em propina para atuar em favor de Vorcaro. O servidor Belline Santana também é investigado por suposta participação no esquema de corrupção dentro da autoridade monetária.

A interferência nos fundos de pensão

Segundo a PF, diálogos de maio de 2024 revelam que Vorcaro pediu ajuda para barrar mudanças na Previc. A norma em questão dificultaria a venda de Letras Financeiras do Master para regimes de previdência de servidores públicos.

Em uma das mensagens, o banqueiro afirma: “Só preciso de ajuda do Bacen em um tema. Os bancos grandes estão atuando na Previc para tirar os S3 da lista exaustiva de investimento institucional”. Ele classificou a mudança como uma sacanagem.

Prioridade absoluta e reuniões secretas

As mensagens mostram que Paulo Sérgio atendia aos pedidos do Banco Master com prontidão. Em dezembro de 2023, o servidor destacou que tratar da compra do Banco Voiter pelo grupo de Vorcaro seria uma “prioridade absoluta”.

O ex-diretor chegou a afirmar que falar com o banqueiro não era “incômodo algum”. Os diálogos indicam que o servidor demonstrava empolgação com os projetos do banco, ignorando o distanciamento necessário que sua função exigia.

Operadores financeiros e o suporte do ‘anjo’

A investigação aponta que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuava como operador financeiro no esquema. Em uma conversa, Zettel pediu orientações sobre como tratar Paulo Sérgio em um encontro presencial marcado para aquele dia.

Vorcaro foi direto ao recomendar que o tratamento fosse excelente, pois o servidor estaria sendo um “anjo na vida”. A PF acredita que essa proximidade era alimentada por pagamentos indevidos para garantir vantagens regulatórias ilícitas.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo: https://www.estadao.com.br/economia/vorcaro-ex-diretor-bc-anjo-na-vida-ajuda-fundo-de-pensao/

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