A dívida bruta dos Estados Unidos ultrapassou a marca histórica de US$ 40 trilhões pela primeira vez nesta quarta-feira, 19. O marco é considerado preocupante para uma economia que se sustenta sobre uma base fiscal instável.

O endividamento acumulado é resultado de décadas de altos custos com as forças armadas, programas de proteção social e os cortes de impostos promovidos pelo presidente Donald Trump, que impactaram as contas públicas.

Somente neste ano, o país deve contrair mais de US$ 2 trilhões em empréstimos para arcar com obrigações, incluindo gastos militares e juros crescentes, conforme divulgado pelo Estadão.

A escalada da dívida dos EUA e os impactos na economia mundial

O crescimento acelerado do déficit é motivo de intenso debate político. De um lado, há quem veja o endividamento como reflexo da força econômica, de outro, especialistas alertam para o risco de uma espiral da dívida perigosa.

Marc Goldwein, diretor do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, demonstrou preocupação com o cenário atual. Segundo ele, “o mais assustador nisso tudo é como estamos começando a ver o início da espiral da dívida”, referindo-se aos juros.

A incapacidade de resolver o problema pode levar investidores a exigir taxas ainda mais altas para comprar títulos americanos, o que colocaria em xeque a credibilidade do dólar como a principal moeda de reserva do mundo.

Promessas de campanha e a realidade fiscal

Quando concorreu em 2016, Donald Trump prometeu eliminar a dívida nacional em oito anos. No entanto, desde então, o montante dobrou. Em seu segundo mandato, as iniciativas para cortar gastos ainda não surtiram o efeito esperado.

O Departamento de Eficiência Governamental, inicialmente liderado por Elon Musk, prometeu economizar US$ 1 trilhão, mas gerou apenas US$ 200 bilhões até agora. O órgão de controle americano questiona a transparência desses dados divulgados.

Além disso, planos de arrecadação via tarifas de importação sofreram um revés judicial. A Suprema Corte considerou algumas taxas ilegais, forçando o governo a devolver mais de US$ 160 bilhões para diversas empresas afetadas.

O peso dos juros e a estratégia do Tesouro

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, estabeleceu a meta de reduzir o déficit para 3% do PIB até 2028. Atualmente, esse índice passa dos 6%, e o próprio secretário admitiu que os números estão indo na direção errada este ano.

Bessent argumenta que os cortes de impostos se pagarão no futuro. “Vejo isso mais como dar um puxão no estilingue e criar muita energia potencial que se transforma em energia cinética”, afirmou ele sobre o potencial de crescimento.

Para tentar conter os custos de financiamento, o Tesouro anunciou que dobrará o montante de sua própria dívida que está autorizado a recomprar. A medida tenta acalmar investidores ansiosos que exigem maior remuneração.

O futuro do Federal Reserve e o risco do precipício

A incerteza também recai sobre o Federal Reserve. Kevin M. Warsh, que assumiu a presidência do banco central em maio, prioriza a redução dos ativos da instituição, que hoje somam impressionantes US$ 6,8 trilhões.

Qualquer tentativa de vender esses ativos diretamente pode preocupar os operadores de mercado. Enquanto isso, os custos com Previdência Social e programas de saúde continuam subindo sem que haja um plano de corte rigoroso.

Margaret Spellings, do Bipartisan Policy Center, resume o sentimento de urgência. “Mesmo nos cenários mais otimistas, estamos correndo em direção a um precipício e nos recusando a virar o volante”, alertou a especialista.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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