O Brasil viu sua Dívida Bruta do Governo Geral, um indicador crucial da saúde fiscal, aumentar novamente em fevereiro. Esse movimento acende um alerta importante sobre a capacidade de pagamento do país e seus compromissos financeiros futuros.

A elevação, que leva o montante para quase 80% do Produto Interno Bruto, reforça a necessidade de um controle rigoroso das contas públicas. A dívida impacta diretamente a percepção de risco do Brasil no cenário internacional, influenciando investimentos e a estabilidade econômica.

Além do crescimento da dívida, o setor público registrou um déficit primário significativo em fevereiro, mesmo que menor que o esperado. Os gastos com juros também atingiram patamares recordes, conforme dados divulgados pelo Banco Central e noticiados pelo Estadão.

Os desafios da Dívida Bruta do Governo Geral e o cenário do déficit primário brasileiro

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que abrange União, estados e municípios, subiu de 78,7% para 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e fevereiro. Em valores nominais, passou de R$ 10,080 trilhões para R$ 10,178 trilhões no período.

Este percentual está se aproximando do pico histórico registrado em dezembro de 2020, quando alcançou 87,6% do PIB devido às medidas fiscais emergenciais da pandemia. Para agências globais de classificação de risco, uma dívida maior sinaliza um risco elevado de calote.

Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), a DBGG teve uma elevação ainda mais significativa, saltando de 92,7% do PIB em janeiro para 94% em fevereiro. Essa escalada consolida a percepção de um endividamento crescente do país.

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que considera as reservas internacionais, também seguiu a tendência de alta. Passou de 65% para 65,5% do PIB, atingindo R$ 8,420 trilhões. Este indicador adiciona um ponto de atenção à saúde fiscal.

Déficit Primário em Fevereiro: Um Alívio Parcial e a Contribuição dos Entes Federativos

O setor público consolidado, que inclui governo central, estados, municípios e estatais, registrou um déficit primário de R$ 16,388 bilhões em fevereiro. Embora seja um valor expressivo, o resultado foi considerado melhor do que o esperado pelas projeções de mercado, que previam um rombo maior para o mês.

Este foi o melhor desempenho para um mês de fevereiro desde 2022, quando o país havia registrado um superávit. O Governo Central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e INSS, teve um déficit primário de R$ 29,507 bilhões, sendo o principal responsável pelo resultado negativo do período.

Por outro lado, os estados e municípios apresentaram um desempenho positivo, contribuindo para aliviar o cenário. Os estados fecharam fevereiro com um superávit de R$ 10,741 bilhões, e os municípios, com um saldo positivo de R$ 2,945 bilhões, demonstrando uma gestão fiscal mais controlada em algumas esferas.

No acumulado dos últimos 12 meses até fevereiro, o setor público consolidado mantém um déficit primário de R$ 52,843 bilhões, o equivalente a 0,41% do PIB. Apesar de ainda representar um rombo nas contas, houve uma leve redução em comparação com o mês anterior, quando o déficit era de 0,43% do PIB.

Gasto com Juros: Despesa Atinge Recorde e Pressiona Contas Públicas

A despesa do setor público consolidado com juros atingiu um patamar preocupante em fevereiro, com resultado negativo de R$ 84,201 bilhões. Nos dois primeiros meses do ano, esse gasto já soma R$ 147,828 bilhões, equivalente a 7,16% do PIB.

No período de 12 meses encerrado em fevereiro, o gasto com juros da dívida alcançou a marca histórica de R$ 1,037 trilhão, representando 8,07% do PIB. É a primeira vez que as despesas líquidas com juros ultrapassam o trilhão de reais na série histórica.

Essa despesa com juros é um componente crucial do déficit nominal, que considera o resultado primário e o pagamento de juros. Em fevereiro, o déficit nominal do setor público consolidado foi de R$ 100,589 bilhões. Em 12 meses, soma R$ 1,090 trilhão, ou 8,48% do PIB.

O aumento contínuo da Dívida Bruta do Governo Geral e os crescentes gastos com juros ressaltam a urgência de reformas e políticas fiscais eficazes. O cenário exige atenção redobrada para garantir a sustentabilidade das contas públicas e preservar a confiança dos mercados no Brasil.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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