Fabricantes brasileiros de ferro-gusa, insumo essencial para a produção de aço e autopeças, iniciaram uma ofensiva diplomática e comercial em Washington. O objetivo é garantir que o produto seja isento das novas tarifas de importação.

A preocupação do setor é com o impacto acumulado de taxas que podem chegar a 37,5%, somando políticas comerciais e punições por supostas falhas laborais. O Brasil é, atualmente, o maior fornecedor desse material para os americanos.

Os produtores argumentam que a indústria dos Estados Unidos é altamente dependente do fornecimento externo para manter suas operações funcionando, conforme divulgado pelo Estadão.

A luta brasileira contra as novas taxas americanas

Na última terça-feira, o representante comercial dos EUA (USTR) realizou audiências públicas para ouvir os setores afetados. A soma das tarifas gera um peso enorme sobre o ferro-gusa brasileiro, impactando milhares de toneladas do produto.

O empresário Frederico Henriques Lima e Silva, presidente da SDS Siderúrgica, destacou que quase 70% do volume importado pelos EUA vem do Brasil. Ele participou das reuniões como representante do Sindifer, que reúne 53 fabricantes nacionais.

Mostramos a importância do produto brasileiro para a indústria americana, e fiquei surpreso e otimista com o apoio que recebemos de empresas e entidades dos EUA, afirmou Silva sobre o clima das negociações em Washington.

O peso do mercado americano para Minas Gerais

A produção brasileira de ferro-gusa está concentrada em Minas Gerais, além de Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Maranhão. No ano passado, o volume total atingiu 5,3 milhões de toneladas, sendo a maior parte destinada ao mercado externo.

As divisas geradas pelas exportações em 2025 alcançaram US$ 1,67 bilhão. Desse total, as compras feitas por empresas americanas representaram cerca de US$ 1,5 bilhão, consolidando os EUA como o principal destino comercial do insumo mineiro.

Enquanto o Brasil exporta milhões de toneladas, a produção local dos EUA é de apenas 300 mil toneladas, o que representa menos de 6% do consumo interno, evidenciando a dependência do fornecimento brasileiro para a siderurgia local.

Risco para a cadeia de suprimentos global

O novo tarifaço de Donald Trump está previsto para entrar em vigor em breve, gerando insegurança em grandes usinas de aço como Nucor e Steel Dynamics. Atualmente, o setor já lida com uma tarifa temporária de 10% que está perto de expirar.

Além do Brasil, apenas Ucrânia e Índia aparecem como fornecedores relevantes, mas com volumes muito menores. A Rússia, que já foi um grande parceiro comercial, segue sob pesadas sanções americanas desde o início do conflito com a Ucrânia em 2022.

Silvia Nascimento, presidente da CBF, reforça que a insegurança de fornecimento atinge diretamente as companhias americanas que dependem dessa matéria-prima para fabricar componentes automotivos e peças industriais complexas.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

Um dos grandes trunfos do produto nacional é o uso de carvão vegetal em sua fabricação, o que ajuda a descarbonizar a indústria do aço. Esse diferencial ambiental é visto como uma vantagem estratégica para atrair investimentos e manter clientes.

Apesar da competitividade, o cenário de incerteza tarifária fez com que muitas negociações fossem suspensas temporariamente. O setor aguarda uma definição oficial do governo americano sobre a lista final de produtos que receberão isenção.

O setor defende que o ferro-gusa seja classificado como matéria-prima estratégica para a economia dos Estados Unidos. Sem essa concessão, o custo de produção de veículos e infraestrutura em solo americano pode sofrer uma alta considerável.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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