A recente demissão de Claudio Romeo Schlosser da diretoria de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras chocou o mercado. O anúncio, feito na segunda‑feira, 7, veio após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao leilão de GLP, gerando temores de intervenção estatal nos preços dos combustíveis.

Analistas consultados pelo Estadão destacam que a medida pode sinalizar uma postura mais intervencionista do governo federal, especialmente em um momento de alta volatilidade causada pela guerra no Oriente Médio e pelos subsídios ao preço final da energia.

Com a disputa interna entre governança corporativa e pressão política, investidores temem que a Petrobras seja usada como ferramenta da política econômica, afetando sua rentabilidade e a confiança do mercado, conforme relatado pelo Estadão.

Reações dos especialistas ao afastamento de Schlosser

Visão da L4 Capital sobre o intervencionismo

Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, afirmou que a demissão evidencia a intenção do Executivo de interferir nos preços, desviando‑se da lógica econômica estabelecida nos leilões. “As escolhas que fazem sentido econômico divergiram do viés populista do governo”, destacou.

Expectativas da RB Investimentos frente ao preço do petróleo

Gustavo Cruz, estrategista‑chefe da RB Investimentos, acredita que o conflito interno demonstra a relutância do governo em permitir a atuação autónoma da Petrobras. Mesmo assim, ele prevê que a alta do petróleo continuará impulsionando os resultados da empresa, ao dizer: “Mesmo com a interferência, ainda será uma receita bem maior do que a esperada”.

Preocupação com governança e política de preços

Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, alerta que os subsídios estatais aumentam o risco da Petrobras ser usada como instrumento de política econômica, reduzindo o valor gerado aos acionistas. “O que chama a atenção hoje é governança e política de preços, não o petróleo”, observou.

Novo diretor alinhado à presidência da estatal

Felipe Sant’Anna, especialista da Axia Investing, aponta que Angélica Laureano, que assumiu a diretoria de Logística, tem perfil alinhado à presidente Magda Chambriard, indicada por Lula. “O governo está desesperado para segurar o preço dos combustíveis; qualquer um que fique no caminho será alvo”, afirmou.

Em síntese, a demissão do diretor da Petrobras destaca uma tensão crescente entre a necessidade de autonomia empresarial e a pressão política para controlar os preços dos combustíveis, cenário que pode impactar decisões de investimento e a estabilidade econômica do país.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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