BRASÍLIA – O Banco Master teve uma ascensão meteórica desde que foi parar nas mãos do banqueiro Daniel Vorcaro, em 2019, até entrar em colapso em 2025, com a liquidação pelo Banco Central.
Inicialmente chamado de Máxima – um banco com mais de 50 anos de atuação no País, mas que já passava por problemas -, a instituição foi rebatizada em 2021 e cresceu de forma acelerada.

Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master
Saltou da 91º colocação no ranking de tamanho dos bancos brasileiros, com apenas R$ 3,47 bilhões de passivos (recursos captados) em 2019, para a 20ª posição, com R$ 83,18 bilhões, em março de 2025 – o último dado disponível, a poucos meses antes de quebrar.
A análise comum de qualquer banco é feita pelos ativos, mas, no caso do Master, só se tem certeza da dívida, porque bilhões em ativos foram inflados, fraudados ou simplesmente desviados, segundo as investigações.
A estratégia do Master foi captar recursos oferecendo investimentos com rentabilidade muito acima da média do mercado, que eram cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em paralelo, o banco investia esse dinheiro em ativos arriscados, como ações de empresas em dificuldades e precatórios (dívidas judiciais).
“Forasteiro da Faria Lima”, Vorcaro criou ao longo dos anos uma ampla rede de conexões políticas, de bolsonaristas a petistas. Patrocinou eventos com ministros e banqueiros e cultivou relações com autoridades do alto escalão de Brasília. Em depoimento à Polícia Federal no final do ano passado, afirmou ter “amigos de todos os Poderes”.
Segundo as investigações das autoridades – que levaram à liquidação do banco -, o Master cometeu fraudes bilionárias e desviava recursos para os seus donos por meio de uma complexa cadeia de fundos de investimentos.
Além disso, a Polícia Federal também apura crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, Vorcaro integra uma organização criminosa que atua como uma “milícia privada”, ao fazer uso de violência e coação contra adversários do banqueiro.
O caso, que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), causou embates entre instituições envolvidas na investigação e passou por reviravoltas, em meio às teias de Vorcaro pelos Poderes da República. As apurações seguem em andamento.
Veja a cronologia do caso:
2019
BC autoriza transferência do Banco Máxima para Daniel Vorcaro
No dia 14 de outubro de 2019, o Banco Central autorizou a transferência do controle societário do então Banco Máxima (posteriormente renomeado como Banco Master) para Daniel Vorcaro.
Na época, ele era um empresário de Minas Gerais com atuação no ramo imobiliário, sem relações com o setor financeiro. O banco termina o ano com R$ 3,47 bilhões de passivos (recursos captados de clientes), apenas o 91º maior do País, segundo dados do BC.

Master é rebatizado e começa escalada de crescimento
Em dezembro de 2020, o então Máxima já havia aumentado as captações em 62%, com passivos chegando a R$ 5,64 bilhões. Em agosto de 2021, o banco é renomeado para Master e Vorcaro dá entrevistas exaltando a mudança de portfólio de produtos, com foco em crédito consignado.
Em 2022, o Master aumenta a captação em mais 94%, praticamente dobrando de tamanho, para R$ 18,87 bilhões em passivos. Em 2023, saltou 79%, para R$ 33,81 bilhões. O crescimento era alavancado pela emissão de CDBs com altas taxas de retorno para os investidores – até 140% do CDI – cobertos pelo FGC.
Em dezembro de 2023, o Banco Central promove mudanças nas regras de uso do fundo. A alteração “repercutiu na estratégia de captação de recursos do conglomerado, que se voltou, então, para empresas e investidores institucionais”, disse o BC em relatório enviado do Tribunal de Contas da União (TCU).
O crescimento rápido do banco despertava a atenção do setor financeiro e do próprio BC.

Banco Central faz ‘acompanhamento contínuo do Master’
Com o crescimento acelerado do Master e os rumores sobre os riscos do banco na Faria Lima, o Banco Central passa a fazer um “acompanhamento contínuo” da gestão, segundo relatório enviado ao TCU, tendo em vista que “o conglomerado contava com a maior parte de seu funding em operações de longo prazo, o que limitava a geração de caixa para o cumprimento de obrigações de curto prazo”.
Segundo o BC, o Master ”sempre apresentou baixo estoque de ativos líquidos, em comparação com as saídas líquidas de caixa projetadas”. Com isso, o órgão regulador do sistema financeiro determinou a adoção de providências para “assegurar a liquidez em níveis suficientes e adequados, assim como a apresentação de plano de contingência de liquidez atualizado”.
O problema, como revelou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, era que havia dois servidores do BC cooptados pelo Master. Quem deveria fiscalizar estava, na verdade, acobertando as ações do banco.
2º sem/24
BC detecta mais problemas e dá ultimato ao banco
Ainda assim os problemas foram crescendo e no segundo semestre o BC detecta que o Master está com dificuldades para fazer captações institucionais – a alternativa pensada para compensar as restrições ao CDBs. O plano de negócios previa R$ 15 bilhões de entrada de recursos por meio de crédito a empresas, mas apenas R$ 2 bilhões foram captados.
O BC detecta uma série de irregularidades, com descumprimento de norma do Conselho Monetário Nacional (CMN), como insuficiência de capital após ajustes de informações incorretas prestadas ao órgão, inexistência de ativos líquidos e descumprimento de normas no gerenciamento de risco de crédito.
Vorcaro ataca Banco Central: ‘Prejudicou não só a mim, mas o sistema financeiro’
Banqueiro demonstrou à Polícia Federal indignação com a atuação do Banco Central no processo de liquidação do Master. Crédito: Polícia Federal
Nov/24
BC dá prazo de seis meses para o Master ‘arrumar a casa’
O Master começa a recolher compulsório (reserva obrigatória que fica depositada no próprio BC) abaixo do exigido pelo Banco Central e tem dificuldades para fazer novas captações em plataformas de investimentos.
Outras instituições financeiras, temendo o uso do FGC pelo Master, fecham as portas dessas plataformas, pelas quais o banco chegava aos clientes finais. Os dirigentes do Master são informados de que poderiam sofrer penalidades por conta dos números do balanço.

Uma comunicação enviada pelo Banco Master ao Banco Central em 7 de novembro de 2024 mostra que Vorcaro se comprometeu a adotar uma série de medidas para melhorar a governança corporativa do Master e a recompor a saúde financeira do banco em seis meses, até maio de 2025.
Como o Estadão revelou, o ofício mostra que o Master recebeu uma espécie de ultimato da autoridade monetária sob a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, um ano antes de ser liquidado pelo atual presidente Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.
05/12/24
Master começa parceria com Tirreno para compra de créditos
Com o aperto dado pelo Banco Central, o Master procura uma empresa recém-criada chamada Tirreno para firmar uma parceria e revender créditos ao Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal.
Daniel Vorcaro e Paulo Henrique entram em contradição sobre carteira de créditos vendida pelo Master
Sigilo dos depoimentos foi levantado pelo ministro Dias Toffoli.
Investigadores, contudo, afirmam que a Tirreno é uma empresa de fachada, criada pelo próprio Vorcaro, para fraudar operações de injeção de recursos no banco, em triangulação com o BRB.
1º sem/25
Master revende R$ 12,2 bi de crédito de terceiros para o BRB
O Master celebra contratos com a Tirreno, chegando a R$ 6,7 bilhões, que depois foram vendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões – embutido um prêmio (lucro) para o banco de Daniel Vorcaro.
Diretor do BC diz à PF que créditos vendidos pelo Banco Master ao BRB eram inexistentes
Segundo Ailton de Aquino Santos, BC teve ‘certeza’ da inexistência de créditos após reunião com representante de empresas que negociaram com o Master. Crédito: Imagens: STF
O Master não precisava pagar a Tirreno à vista, mas recebia à vista do BRB. A investigação aponta que esses créditos, na verdade, nunca existiram na origem: os contratos foram fabricados.
Jan-fev/25
Compras de carteiras do Master afetam balanço do BRB
O BRB chega a ficar desenquadrado do índice de Basileia – um indicador de prudência financeira que obriga os bancos a deixar recursos parados no Banco Central – por conta das elevadas compras de crédito consignado do Master, acendendo um alerta para o banco estatal.
17/03/25
BC questiona Master sobre carteiras da Tirreno
O Banco Central faz um questionamento oficial ao Master sobre a falta de documentação dos contratos de créditos da Tirreno cedidos ao BRB. Neste momento, o BC estranhava o alto volume de crédito vendidos ao banco estatal, assim como a capacidade de o Master e a própria Tirreno gerarem carteiras em valores bilionários por mês.
Neste período, o Master já tinha repassado R$ 4,6 bilhões ao BRB em 20 contratos: seis em janeiro, no valor de R$ 1,66 bilhão; seis em fevereiro, no valor de R$ 1,82 bilhão, e 8 em março, no valor de R$ 1,12 bilhão.
25/03/25
Master diz que duas associações da Bahia geraram o crédito
O Master responde ao BC que duas associações de servidores da Bahia eram as originadoras do crédito consignado vendido ao BRB: a Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia (Asteba) e a Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (Asseba).
O BC identifica, no entanto, que CPFs de diversas localidades do País foram usados para justificar a origem do crédito. O órgão começa a analisar uma amostra de 30 contratos, escolhidos de forma aleatória, todos sem lastro.
Depois, o BRB fornece mais 100 contratos, também escolhidos aleatoriamente, sem lastro. Não havia documentos, dados de conta, agência, nem a entrada dos recursos dos empréstimos em contas dos respectivos CPFs.

BRB anuncia oferta de compra de parte do Master por R$ 2 bi
Master e BRB divulgam fato relevante ao mercado e anunciam um negócio, com o banco estatal comprando um pedaço do banco público por R$ 2 bilhões. A operação colocaria o banqueiro Daniel Vorcaro como membro do conselho de administração do novo banco a ser criado, que se chamaria BRB Corporate.
O banco controlado pelo governo do Distrito Federal compraria 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto).
Na primeira entrevista após o anúncio do negócio, o então presidente do BRB Paulo Henrique Costa, disse ao Estadão, que “todo o processo de análise do Master passou por diligência robusta”. A compra lembrava a lógica do Proer, se salvar os ativos bons em um outro banco, para liquidar a parte falida.
O BC convoca servidores “cabeças brancas”, com experiência de análise de bancos com problemas, para analisar a operação e nega risco de ceder à pressão política, segundo apurou o Estadão.
Abr/25
Master continua vendendo carteiras da Tirreno para o BRB
O Master cancela contrato com a Tirreno, após questionamentos do BC – mas, mesmo assim, realiza mais nove operações com a empresa e faz novas cessões de crédito ao BRB, que totalizaram R$ 4,05 bilhões (incluindo o prêmio). Para a PF, isso indica que Master e Tirreno são o mesmo grupo.
08/04/25
BC diz ao Master que medidas adotadas são insuficientes
O Master é notificado pelo Banco Central de que as medidas adotadas são insuficientes para a mitigação de risco. O banco já não recolhe mais depósitos compulsórios junto ao BC.
Na prática, o Master está insolvente com o Banco Central, o que já motivaria uma intervenção ou liquidação do banco. Temendo os impactos sobre o balanço do BRB, que poderia quebrar junto com o Master, o BC recorre ao FGC para ganhar tempo e tentar atenuar o impacto sobre o banco público.
04/05/25
Master recebe apoio do FGC, que passa a pagar pelos CDBs
O Master assina um contrato de suporte com o FGC, que estabelece que o banco não pode mais captar recursos vendendo CDBs acima de 100% do CDI. Isso fez com que o banco captasse apenas R$ 90 milhões no mesmo período, enquanto o FGC honrou R$ 4,3 bilhões em CDBs. Neste momento, o Master já não recolhe compulsórios nem paga os CDBs que vencem, que são assumidos pelo FGC.

BRB diz que informa ao BC sobre falta de documentação do Master
Segundo o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o banco estatal informa o BC sobre a estrutura de originação dos créditos da Tirreno.
“Identificamos que existia um padrão documental diferente que consistia na originação por terceiros, com uma atuação do próprio comitê de auditoria do BRB e de uma comunicação de boa-fé, nós informamos ao Banco Central, no dia 25 de maio, que estávamos lidando com uma carteira com um padrão documental diferente”, disse em depoimento à PF em 30 de dezembro de 2025.
14/07/25
BC notifica MPF sobre indícios de crime no sistema financeiro
O Banco Central notifica o Ministério Público Federal (MPF) sobre indícios de crime no sistema financeiro pela venda de carteiras do Master ao BRB.
A investigação se divide em duas: a parte criminal fica por conta da Polícia Federal, enquanto a parte administrativa, envolvendo a solidez financeira do Master, continua a cargo do BC.
03/09/25
BC nega a venda do Master para o BRB
Depois de pouco mais de cinco meses de análise, o Banco Central decide reprovar o negócio entre Master e BRB. Por meio de nota, o BRB defende a compra, mesmo após a operação de compra de créditos de terceiros, por meio da Tirreno.
“O BRB reitera seu posicionamento de que a transação representa uma oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o BRB, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional e manterá seus acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis”, disse o banco estatal.
30/09/24
PF abre inquérito para investigar crimes na gestão do Master
A PF abre um inquérito para apurar suspeitas de crimes envolvendo a gestão do Master e a tentativa de compra pelo BRB, que havia sido rejeitada pelo BC. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo.
A Polícia Federal também apura as suspeitas apontadas em relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que identificou investimentos de R$ 2,1 bilhões do Master em empresas sem capacidade econômica, como revelou o Estadão.

Vorcaro anuncia proposta da Fictor, mas é preso em aeroporto
Vorcaro tem reunião por videoconferência com o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino. Ele afirma que o Master tem uma proposta de compra pelo Grupo Fictor e um consorcio de investidores árabes, mas não apresenta documentos.
“O controlador limitou-se a relatar iniciativas que alegadamente estariam em curso”, diz o Banco Central em relatório enviado ao TCU.
À noite, Vorcaro é preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai – para onde, ele alega, fecharia o negócio. A Justiça suspeitou de risco de fuga do País.
Nesse mesmo dia, ele teria trocado várias mensagens com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
18/11/25
PF deflagra Operação Compliance Zero e BC decreta liquidação do Master
A Polícia Federal deflagra a Operação Compliance Zero. Além de Vorcaro, que havia sido detido na noite anterior, foram presos o ex-sócio de Vorcaro no banco Augusto Lima e os diretores Antonio Bull, Alberto Felix de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é afastado do cargo.
No mesmo dia, o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Master. O banco possuía R$ 4 milhões em caixa e mais de R$ 120 milhões a vencer na mesma semana, como revelou o Estadão.
Banco Master: De banco mineiro que oferecia CDB de 140% a alvo da PF e do BC
Conheça a trajetória da instituição de Vorcaro, preso quando tentava fugir do Brasil, segundo a PF. Crédito: Alvaro Gribel
Toffoli viaja com advogado do Master e vira relator do caso; TRF solta Vorcaro
No dia 28 pela manhã, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli embarca para Lima, no Peru, para assistir à final da taça Libertadores, que aconteceria no dia seguinte, a bordo de um jato particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore.
Como revelou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, no mesmo voo estava o advogado Augusto Arruda Botelho, ex-secretário Nacional de Justiça, que defende o diretor de compliance do banco Master, Luiz Antonio Bull. À tarde, o Toffoli é sorteado relator do caso no STF.
O caso Master foi remetido à Suprema Corte atendendo a um pedido da defesa de Vorcaro, após a PF apreender um em um dos endereços ligados a Vorcaro um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) contendo documentos sobre um negócio imobiliário, como revelou o Estadão. Não há, contudo, indícios de qualquer ligação entre Bacelar e o caso Master.
Já à noite, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determina a soltura de Vorcaro e de outros quatro investigados. Ele coloca tornozeleira eletrônica.
Daniel Vorcaro deixa cadeia com tornozeleira eletrônica e impedido de realizar operações financeiras
O controlador do banco Master, Daniel Vorcaro, foi solto na manhã deste sábado, após passar 11 dias preso na Operação Compliance Zero. Crédito: Fábio Vieira/Estadão
03/12/25
Toffoli decide que investigação fica no STF e impõe sigilo
Toffoli decide que os próximos atos da investigação sobre crimes financeiros do empresário Daniel Vorcaro na gestão do Banco Master ficarão sob a competência do STF.
Ele também decreta sigilo sobre as investigações. Na prática, o Banco Central fica impedido de prestar qualquer tipo de esclarecimento ou informação técnica sobre o caso.

Contrato de esposa de Moraes com Master previa atuação no BC, Receita e Congresso
Reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, aponta que o contrato do Banco Master com a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, previa que o escritório da família trabalhasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional.
De acordo com o contrato, assinado em janeiro do ano passado, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027, revela a reportagem.

Ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, vê ‘precipitação’ do BC
O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso Master no Tribunal de Contas da União (TCU), questiona a liquidação do Master pelo BC.
Em despacho, ele dá 72 horas para a autarquia justificar a “medida extrema”, fala em “precipitação” e levanta a hipótese de travar ações futuras sobre os ativos da instituição financeira controlada por Vorcaro. O BC passa a ficar sob o cerco de Toffoli, no STF, e de Jesus, no TCU.
Banco Central vive cerco sobre liquidação do Master
STF e TCU tomam decisões que podem levar a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro a reverter o caso na Justiça. Crédito: TV Estadão
23/12/25
Estadão revela que Moraes chegou a ligar 6 vezes para Galípolo em um único dia
Reportagem do Estadão revela que o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a telefonar seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para saber sobre o andamento da operação de compra do Master pelo BRB – que seria rejeitada pelo BC em setembro.
A série de telefonemas faz parte de uma das, ao menos, cinco conversas de Moraes com Galípolo sobre o assunto, sendo uma delas presencial. Moraes afirmou que as reuniões e contatos tiveram como “exclusivo” objetivo tratar dos efeitos da Lei Magnitsky.
A existência de conversas entre Moraes e Galípolo fora da agenda foi revelada originalmente pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
24/12/25
Toffoli marca acareação entre investigados e diretor de fiscalização do BC
Em uma decisão considerada heterodoxa, o ministro Toffoli marca uma acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino – que não é investigado no caso.
‘O senhor não teve medo de comprar carteiras podres do Master’, pergunta delegada a ex-BRB
Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Henrique Costa diz que não há evidências de que carteiras do Master eram ‘podres’.
A medida foi tomada de ofício, ou seja, sem a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Nos dias seguintes, a PGR pede que Toffoli reconsidere a medida, mas o ministro nega.
27/12/25
BC pede esclarecimentos a Toffoli
O Banco Central pede esclarecimentos a Toffoli, por meio de um embargo de declaração, para entender por que Ailton de Aquino teria de prestar depoimento e passar por acareação.
O magistrado justificou a urgência de realizar o procedimento, mesmo durante o recesso do Judiciário, devido ao grande impacto do caso no sistema financeiro brasileiro e às provas já reunidas no processo.
Diretor do BC à PF diz que BRB deveria ter identificado fraudes nas carteiras do Master
Em audiência no STF em 30 de dezembro, Ailton de Aquino diz que governança do banco tinha como ter detectado problemas. Crédito: Imagens: STF
30/12/25
PF colhe depoimentos e Aquino é dispensado da acareação
A série de depoimentos colhidos no STF é marcada por desentendimento entre delegada e juiz, acareação dos dois investigados e telefonema a ministro do STF para definir o roteiro do ato processual. Foram quase oito horas entre a coleta dos depoimentos e a acareação.
Acareação reforça suspeitas de irregularidades em negócio do Banco Master com BRB
Ex-presidente do banco admitiu que valores investidos em carteiras de crédito consignado falsificados ainda não foram recuperados. Crédito: Aguirre Talento/Estadão
O diretor do BC, que não é investigado, prestou depoimento – considerado técnico pelos presentes -, e acabou sendo dispensado de ficar frente a frente com Vorcaro e Paulo Henrique para o confronto de versões.
Diretor do BC diz que perdas do BRB com operação do Master podem passar de R$ 5 bi
Ailton de Aquino afirmou que foram identificados problemas nos ativos repassados pelo Master ao banco estatal. Crédito: Imagens: STF
14/01/2026
Operação prende cunhado de Vorcaro; Toffoli manda PF entregar provas lacradas ao STF
Toffoli autoriza a PF a deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero. Um dos alvos de busca e apreensão, pela segunda vez, foi o banqueiro Daniel Vorcaro, além de diversos familiares dele. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é preso quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos – tendo sido solto depois.
Vorcaro e Parentes na mira da PF
O que se sabe sobre a operação da Polícia Federal que fez buscas e apreensões em endereços do banqueiro, irmã e chegou a prender o cunhado. Crédito: Aguirre Talento
Além de Vorcaro, a operação realiza buscas contra a irmã dele, Natália Vorcaro, um primo, Felipe Cançado Vorcaro, e o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro. Também foram alvos o fundador da Reag, João Mansur, e o empresário Nelson Tanure – suspeito pelos investigatores de ser um sócio oculto do Master, o que ele nega.

Toffoli determinou que a PF entregasse à Corte todos os itens que foram apreendidos “lacrados e acautelados” para avaliação do material posteriormente.
A determinação chamou a atenção dos investigadores, que classificaram a medida como inédita. O procedimento normal era que os materiais apreendidos fossem enviados à perícia da Polícia Federal para extração dos dados e análise das informações.
Depois, o ministro recua e determina que a PGR faça a extração dos celulares e demais itens da apreensão.
15/01/2026
Relator tem novo recuo e autoriza PF a periciar material apreendido em operação
Em novo recuo, Toffoli autoriza a Polícia Federal a periciar o material apreendido na Operação Compliance Zero. O magistrado, no entanto, escolhe os peritos da PF que fariam a análise do material na sede da PGR.
21/01/26
Banco Central decreta liquidação do Will Bank
O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do banco digital Will Bank, que estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro, quando foi decretada a liquidação do Banco Master.
Na avaliação da autarquia, a liquidação foi necessária após o descumprimento de pagamento da instituição com a Mastercard.
22/01/26
Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort
O Estadão foi a Marília, interior de São Paulo, até a sede da Maridt Participações, empresa dos irmãos Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá,
A sede é uma casa de 130 metros quadrados onde mora José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. No local, a reportagem encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.
Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort: ‘Sócio? Olha minha casa’
Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná. Crédito: Pedro Augusto Figueiredo e Taba Benedicto/Estadão
“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui”, afirmou apontando para o imóvel, com sinais de deterioração.
18/02/26
BC decreta liquidação do Banco Pleno
Depois de ter aprovado a transferência do então Banco Voiter, que fazia parte do conglomerado Master, para o ex-sócio do banco Augusto Lima, em agosto de 2025, o Banco Central decreta a liquidação do agora Banco Pleno.
Baiano de Salvador, o economista era sócio do mineiro Daniel Vorcaro e do carioca Maurício Quadrado no Master. Lima também chegou a ser preso em novembro do ano passado pela Polícia Federal, na Operação Compliance Zero.
Com a liquidação de mais um banco, o custo para do colapso do conglomerado para o FGC sobe para R$ 56 bilhões, incluindo linhas de socorro ao Master e o fechamento do Master, Will Bank, Letsbank e Pleno (antigo Voiter).

Nova operação da PF prende Vorcaro e cunhado
A Polícia Federal prende novamente o banqueiro Daniel Vorcaro, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Outros três mandados de prisão são determinados pelo ministro André Mendonça, incluindo o do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel.
Dois dirigentes do Banco Central também são alvo de medidas de busca e apreensão e obrigados a usar tornozeleira eletrônica. Eles são acusados de receber uma mesada de Vorcaro para atuar de dentro do Banco Central a favor do Master.
O inquérito da PF fala em “mílícia privada” e expõe uma troca de mensagens entre Vorcaro e integrantes da organização criminosa planejamendo ataques físicos a opositores do banco e jornalistas.
‘Sicário’ de Vocaro: o executor de ‘práticas violentas’ na organização de Vorcaro, segundo a PF
LF: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foi preso na Operação Compliance Zero e se suicidou na cela.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Daniel Vorcaro, se suicida enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais, informa a PF. A defesa confirma o óbito na sexta-feira, 6, após protocolo de morte encefálica.

PF encontra diálogos de Vorcaro com Ciro Nogueira e apura mensagem com ordem de pagamento
A PF encontrou no celular de Vorcaro diálogos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ordens do empresário para pagamento a uma pessoa de nome “Ciro”, citado sem o sobrenome.
O senador negou ter recebido pagamentos e disse não ter proximidade com o empresário. Em mensagens encontradas pela PF, no entanto, o banqueiro se refere a Ciro como um “grande amigo de vida” e comemora uma iniciativa legislativa do senador que beneficiava o Master.
As conversas de Vorcaro com a namorada Martha Graeff também revelam uma reunião ocorrida na noite do dia 19 de março do ano passado em que pessoas de nome “Hugo” e “Ciro” se encontraram em sua casa para conversar com um homem de nome “Alexandre”.
Em mensagens trocadas anteriormente com a companheira, Vorcaro relatou outros encontros com Ciro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Ainda no dia 5 de março, a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou que Vorcaro e Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp ao longo de todo dia 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero. A troca de mensagens foi confirmada pelo Estadão.
Entenda as conexões com Alexandre de Moraes encontradas no celular de Daniel Vorcaro, do Master
Investigações da PF indicam relação entre o empresário e o ministro do STF há pelo menos dois anos. Crédito: Reportagem: Larissa Burchard | Fotografia e som: Felipe Oliveira (Felps) | Imagens: Carlos Fabal/AFP | Edição: Júlia Pereira
Dados extraídos do celular do executivo revelam que ele prestava contas ao ministro sobre as negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.
Nos textos, o banqueiro relata ter antecipado o negócio com o grupo Fictor para tentar salvar o banco e menciona um possível vazamento de informações que “seria péssimo”, mas poderia “servir de gancho para entrar no circuito do processo”. Vorcaro questionou o magistrado por duas vezes se havia alguma novidade e chegou a perguntar diretamente: “Conseguiu bloquear?”.
Print do bloco de anotações do celular de Vorcaro, feito quando relógio marcava 18h32, tinha perguntas: ‘Conseguiu ter notícia ou bloquear?’ Foto: Reprodução
06/03/26
Vorcaro é transferido para prisão em Brasília; Moraes nega ser destinatário de mensagens para salvar Master
Vorcaro foi transferido do presídio em Potim, interior de SP, para a Penitenciária Federal de Brasília, presídio de segurança máxima.
Vorcaro é transferido para penitenciária federal em Brasília
Banqueiro deixa presídio estadual no interior de SP algemado e escoltado por policiais até o avião. Crédito: Polícia Federal
A decisão foi determinada na véspera pelo ministro André Mendonça, atendendo a um pedido da PF – que apontou riscos à segurança pública e à condução das investigações caso o empresário permanecesse no presídio interior.
Em Brasília, a cela em que o banqueiro ficará custodiado tem 7m². São 208 celas individuais, dividas em quatro blocos de dois andares cada.
Veja como é Penitenciária Federal de Brasília, presídio de segurança máxima
Celas têm cerca de 7 metros quadrados e cama de concreto; veja kit que o detento recebe. Crédito: Polícia Federal
No final da tarde, o STF divulgou uma nota a pedido de Alexandre de Moraes na qual nega que as mensagens detectadas no celular de Vorcaro cobrando ajuda para salvar o Master no dia de sua prisão tenham sido destinadas ao ministro.
Segundo Moraes, uma análise técnica mostrou que os prints enviados pelo empresário horas antes de ser preso “estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos”.
Na nota, ele não nega, porém, ter conversado com Vorcaro em 17 de novembro do ano passado – o que suscitou uma série de dúvidas a respeito das explicações do ministro.
Segundo peritos da PF ouvidos pelo Estadão, o argumento apresentado por Moraes apresenta lacunas e não explica a maior parte dos textos escritos no bloco de anotações do banqueiro para serem enviados por mensagem a interlocutores.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







