O setor aéreo mundial enfrenta um novo e grave obstáculo que está deixando centenas de aeronaves presas no chão. Após superar a falta de peças da pandemia, o problema agora reside na tecnologia dos motores novos.
A entrada de modelos avançados que ainda não atingiram a maturidade técnica causou filas imensas nas oficinas. Serviços que antes levavam 120 dias agora podem demorar até 300 dias para serem concluídos.
Esse cenário resultou em um prejuízo estimado em US$ 11 bilhões apenas no ano passado, afetando a eficiência de diversas empresas, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios e prejuízos bilionários no setor aéreo global
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) aponta que os gargalos obrigam as empresas a voar com jatos antigos. Essas aeronaves consomem mais combustível, o que eleva drasticamente os custos operacionais.
Em março de 2025, o problema atingiu o pico com 648 aviões parados, cerca de 28% da frota equipada com motores específicos. A falta de capacidade das oficinas mecânicas impede que esses aviões retornem ao serviço rapidamente.
O impacto direto nas companhias brasileiras
No Brasil, a crise nos motores atinge as principais operadoras. Juntas, Azul, Latam e Gol possuem cerca de 60 aviões estacionados por questões técnicas, representando 12% da frota nacional ativa hoje.
A Azul é a mais afetada, com 22% de seus aviões parados, totalizando 37 jatos. Enquanto isso, Latam e Gol mantêm números mais próximos da normalidade, com 14 e 10 aeronaves em manutenção, respectivamente, segundo dados recentes.
Tecnologia imatura e falhas de fabricação
Os modelos Leap, da CFM International, e GTF, da Pratt & Whitney, são os protagonistas dessa crise. Embora sejam modernos e equipem aviões como o Boeing 737 MAX e o Airbus A320neo, sua tecnologia ainda requer ajustes.
No caso da Pratt & Whitney, foram detectadas anomalias nos discos da turbina e do compressor. Já os motores da CFM apresentam problemas de durabilidade em componentes internos quando operam em temperaturas muito elevadas.
Aumento na demanda de manutenção até 2040
A previsão é que o número de aeronaves comerciais dobre nos próximos 20 anos. Isso significa que a demanda por reparos crescerá de forma sem precedentes, podendo saltar de 800 para mais de 5 mil visitas anuais às oficinas.
Para tentar mitigar a crise nos motores, a Iata sugere a flexibilização do mercado de manutenção. A ideia é permitir que fabricantes terceirizadas produzam peças e tenham acesso livre aos manuais técnicos das oficinas.
A fonte original é o Estadão.







