O segredo das redes regionais contra a crise no varejo

O setor de compras no Brasil vive um momento de contrastes profundos. De um lado, gigantes tradicionais enfrentam dívidas bilionárias, de outro, empresas regionais mostram que o contato direto é um diferencial.

A Casas Bahia, por exemplo, entrou em processo de recuperação judicial com uma dívida de R$ 17,3 bilhões. No entanto, redes como a MM, do Paraná, seguem um caminho de crescimento e estabilidade financeira.

Essa diferença de realidade levanta questões sobre o modelo de negócio das grandes corporações e a eficiência do varejo local, conforme divulgado pelo Estadão.

A força do carnê e a proximidade com o cliente

Diferente das grandes redes que dependem de bancos, as varejistas regionais apostam no crediário próprio. Na rede MM, o famoso carnêzinho representa 80% das vendas a prazo e 45% do faturamento total.

Para Marcio Pauliki, CEO da rede, o segredo é o pertencimento. Ele afirma que, no interior, a relação entre vendedor e cliente é tão forte que os funcionários costumam receber mimos inesperados pela confiança.

“O que meus vendedores mais ganham na loja é cartela de ovo de galinha, bolo e torta”, revela o executivo. Essa conexão pessoal reduz as chances de calote, já que existe um laço de amizade e respeito mútuo.

Baixa inadimplência e o olho do dono

Enquanto a Casas Bahia em recuperação judicial tenta renegociar prazos, redes menores mantêm a inadimplência sob controle. Na MM, o índice de falta de pagamento é a metade do registrado nas grandes varejistas.

A estratégia envolve uma cobrança mais empática. Se o cliente atrasa, o próprio vendedor, que já conhece a rotina da pessoa, entra em contato para buscar uma solução amigável antes de recorrer a medidas drásticas.

Essa gestão próxima permite que a empresa resolva problemas rapidamente. Pauliki destaca que empresas onde existe a dor do dono conseguem ser mais ágeis para ajustar as velas durante tempestades econômicas.

Equilíbrio financeiro longe da alavancagem

O juro alto é o grande vilão das empresas alavancadas. Diferente de quem buscou empréstimos agressivos para expandir, a rede MM mantém um caixa robusto, possuindo R$ 3 para cada R$ 1 que deve no mercado.

O foco dessas redes não é crescer a qualquer custo, mas garantir o lucro e a saúde do caixa. O executivo ressalta que não adianta bater recordes de vendas se a operação não gerar resultados sustentáveis no fim do mês.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através deste link: Estadão | Redes Regionais de Varejo.

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