O governo do Distrito Federal decidiu alterar a classificação de despesas orçamentárias importantes com um objetivo claro, aumentar a capacidade de pagamento do ente federativo.

Essa movimentação busca viabilizar o socorro financeiro ao Banco de Brasília, o BRB, que sofreu prejuízos pesados após operações ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

O objetivo central é destravar um empréstimo de bilhões de reais para cobrir rombos deixados por operações fraudulentas recentes, conforme divulgado pelo Estadão.

A manobra contábil do DF para salvar o Banco de Brasília

O BRB ainda não recebeu o aporte necessário para cobrir o rombo financeiro. O Distrito Federal, que controla a instituição, registrou um deficit de R$ 5,5 bilhões no orçamento do último ano.

Para tentar salvar o banco, a gestão local busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. No entanto, a liberação do dinheiro depende de indicadores fiscais que o governo tenta melhorar artificialmente.

A estratégia consiste em transformar gastos que sempre foram classificados como despesas correntes em investimentos. Isso melhora a percepção do Tesouro Nacional sobre a Capacidade de Pagamento (Capag).

Mudança de gastos em busca da nota máxima

O Tesouro Nacional manteve a nota C para o Distrito Federal, o que impede que a União dê aval para novos financiamentos. Essa classificação baixa reflete a baixa poupança corrente da capital.

Ao reclassificar gastos, o governo tenta convencer bancos privados e a própria União de que possui condições de pagar a dívida. A manobra envolve cerca de R$ 642 milhões retirados do custeio.

O secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, admitiu que a mudança no sistema contábil visa apurar o que é remuneração de capital mesmo dentro de despesas de custeio, como nos ônibus.

Subsídios de ônibus e moradia no centro do debate

O projeto enviado à Câmara Legislativa destina R$ 508,5 milhões para subsídios de empresas de ônibus. Outros R$ 12,2 milhões foram para programas habitacionais e o Cheque Moradia.

Embora tenham sido registrados como investimentos, técnicos da Câmara Legislativa afirmam que tais gastos são, por natureza, despesas correntes, usadas para a manutenção diária dos serviços públicos.

Segundo o parecer técnico, a alteração produz efeito direto sobre o indicador de Poupança Corrente, o que facilitaria a obtenção da nota A para garantir o empréstimo bilionário do BRB.

O risco de liquidação e o impacto para o DF

A liquidação do Banco de Brasília continua sendo uma possibilidade avaliada pelo Banco Central. Caso ocorra, a solução seria traumática, impactando diversos serviços prestados à população brasiliense.

Uma saída menos dolorosa, segundo especialistas, seria a separação de ativos e a venda do banco, repetindo modelos usados nos anos 90 para outras instituições estaduais que enfrentaram crises.

Enquanto o empréstimo não é liberado, a gestão de Celina Leão tenta usar resultados parciais de 2026 para mostrar que a saúde financeira do Distrito Federal está em franca recuperação econômica.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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