A Casas Bahia, uma das maiores varejistas do Brasil, está atravessando um momento decisivo em sua trajetória financeira ao buscar proteção contra credores para reorganizar suas contas e garantir a sobrevivência.

O foco principal da empresa agora é aliviar o peso de um passivo bilionário que acumulou ao longo de anos, permitindo que a companhia respire e consiga novas linhas de financiamento no mercado nacional.

Em teleconferência recente, a diretoria detalhou como pretende transformar o negócio para enfrentar o cenário econômico adverso nos próximos anos, conforme divulgado pelo Estadão.

Como a recuperação judicial Casas Bahia pretende salvar a gigante do varejo da dívida de R$ 17 bilhões?

A Casas Bahia pretende utilizar a recuperação judicial para captar linhas de crédito de curto prazo e viabilizar a monetização de ativos, afirmou o presidente da varejista, Renato Franklin, nesta segunda-feira.

Segundo o executivo, a medida é essencial para lidar com obrigações financeiras antigas. “Precisamos tirar esse peso do passivo estrutural, que vem de muitos anos atrás e que não conseguimos endereçar”, afirmou.

A empresa tentou resolver essas dívidas gradualmente desde 2023, mas a gravidade da situação exigiu a proteção judicial. O objetivo agora é garantir que a operação continue funcionando enquanto o passivo é renegociado.

Foco em rentabilidade e corte de custos drásticos

Como parte da estratégia de reestruturação, a empresa reduziu seus investimentos em quase 40%. O plano envolve o fechamento de 298 lojas menos rentáveis e uma redução severa na estrutura corporativa da companhia.

O CEO explicou que as unidades encerradas prejudicavam a rentabilidade global. Agora, a empresa busca uma operação menor, mais eficiente e capaz de sustentar suas próprias necessidades de caixa sem depender de ajuda externa.

“Voltamos para uma postura mais parecida com o início do plano, priorizando geração de caixa e rentabilidade”, destacou Franklin, reforçando que o foco atual não é expansão, mas sim o equilíbrio das contas internas.

Expectativas para o futuro e cenário conservador

A Casas Bahia não prevê retomar o crescimento nos próximos dois anos. O plano de transformação foi elaborado com uma visão conservadora, considerando que o cenário de 2027 pode ser ainda mais desafiador que o atual.

Para Franklin, o fôlego recente do consumo foi artificial. “Algumas alavancas deram fôlego ao consumo durante este ano, como o empréstimo consignado, mas isso cria um passivo para os consumidores no futuro”, alertou o executivo.

Apesar da redução de 30% nos custos e na rede de lojas, a varejista manterá uma infraestrutura mínima necessária para uma retomada futura, caso o ambiente econômico brasileiro apresente sinais consistentes de melhora.

Desafios com crédito e gestão de estoques

Um dos grandes obstáculos enfrentados foi a redução dos limites concedidos por seguradoras de crédito. Isso comprometeu a capacidade de compra da Casas Bahia e dificultou a manutenção dos produtos nas prateleiras.

A restrição severa levou a uma diminuição de R$ 1,160 bilhão nos estoques entre o primeiro e o segundo trimestre. Embora isso gere caixa no curto prazo, pode causar faltas de produtos e ruptura de vendas no futuro.

A companhia conseguiu alongar prazos com fornecedores, mas a liquidez continua extremamente apertada. “A operação vem funcionando, mas a liquidez está bastante apertada”, confessou o CEO durante a apresentação dos dados.

Captação de recursos externos permanece incerta

A varejista ainda discute uma captação internacional de recursos, mas não há data para conclusão ou garantia de aporte. A piora do cenário macroeconômico e geopolítico elevou os custos e atrasou as negociações vitais.

Diante da incerteza, a empresa deixou de considerar esses recursos em seu planejamento imediato. Uma oferta de ações também foi descartada após o fechamento da janela de mercado, aumentando a pressão sobre a recuperação judicial.

A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo, e você pode ler a matéria completa através deste link: Estadão.

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