A janela partidária, período em que parlamentares podem mudar de legenda sem perder o mandato, chegou ao fim em 3 de abril. Essa movimentação provocou mudanças significativas nas principais legendas da Câmara dos Deputados.

O PSD, que tem Ronaldo Caiado como pré‑candidato à Presidência, viu sua bancada tornar‑se mais nortista e, consequentemente, mais alinhada ao presidente Lula (PT). Já o União Brasil perdeu quase metade dos assentos, com saída de deputados bolsonaristas e de ex‑ministros da gestão petista.

Os dados foram divulgados pela FolhaPress e analisados por especialistas em política parlamentária, que apontam que essas alterações podem redefinir as disputas internas e as negociações legislativas nas próximas eleições.

Perfil renovado do PSD: mais Nordeste, mais apoio a Lula

Entrada e saída de deputados

O PSD saiu da janela com saldo positivo de dois parlamentares: 14 deputados deixaram a sigla e 16 a ingressaram, totalizando 49 assentos. Cerca de 40 % da bancada (20 deputados) agora são representantes do Nordeste, região que tende a apoiar Lula por sua popularidade.

Impacto nas alianças internas

Com a nova composição, a bancada nordestina deve “campanha abertamente para Lula” já no primeiro turno, reduzindo o apoio a Ronaldo Caiado nos estados dessa região. A presença de figuras como o deputado Túlio Gadêlha (PE), identificado com a esquerda, reforça essa tendência.

União Brasil perde peso, ganha coesão

Redução numérica

O União Brasil saiu de 59 para 51 deputados, perdendo 29 parlamentares e incorporando 21 novos. A maior parte dos que deixaram a legenda migrou para o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, pré‑candidato à Presidência.

Reconfiguração interna

Apesar da diminuição numérica, a debandada de bolsonaristas e a saída de dois ex‑ministros do governo Lula (Celso Sabino para o PDT, Juscelino Filho para o PSDB) devem reduzir os conflitos internos e tornar o partido mais tradicional do centrão, facilitando negociações no Legislativo.

Consequências para a disputa presidencial de 2026

Com o PSD mais próximo de Lula, a candidatura de Ronaldo Caiado enfrenta resistência dentro da própria legenda, sobretudo nos estados nordestinos. O União Brasil, por sua vez, mantém-se como bloco de centro‑direita mais coeso, mas sem a pressão direta da ala bolsonarista.

A janela partidária movimentou 121 dos 513 deputados, número que pode subir conforme novas filiações ainda não registradas são confirmadas. Essas mudanças não afetam a divisão do fundo eleitoral, que continua proporcional ao número de deputados eleitos em 2022.

Fonte original: Notícias ao Minuto Brasil – Política

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