O Brasil, detentor da segunda maior reserva mineral de terras raras do mundo, está no centro de uma disputa global por recursos essenciais para a tecnologia moderna e a transição energética.

Com o domínio atual da China, investidores internacionais, como a australiana Viridis Mining, estão voltando seus olhos para o território brasileiro para garantir novos suprimentos minerais.

A empresa foca no Projeto Colossus, em Minas Gerais, buscando transformar o país em um competidor de peso, conforme divulgado pelo Estadão em reportagem recente sobre o setor minerário.

O papel estratégico do Brasil na geopolítica das terras raras

O Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas, Minas Gerais, representa um passo gigantesco para a autonomia brasileira no mercado de elementos químicos cruciais, como o neodímio e o térbio.

Estes minerais são fundamentais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa, setores que hoje dependem quase integralmente do processamento realizado em território chinês.

O bilionário Projeto Colossus em Minas Gerais

A Viridis Mining & Minerals adquiriu os direitos do projeto em 2023, abrangendo uma área de 235 quilômetros quadrados na região de um vulcão extinto, local rico em depósitos de minerais de alto valor.

O investimento total previsto para a escala industrial é de US$ 400 milhões, cerca de R$ 2 bilhões, com a expectativa de que a produção oficial comece efetivamente no quarto trimestre de 2028.

Segundo Rafael Moreno, CEO da Viridis, a expectativa é obter a licença ambiental até novembro de 2026, permitindo que os acionistas tomem a decisão final de investimento para iniciar as obras.

Financiamento internacional e o apoio do BNDES

Para viabilizar o empreendimento, a mineradora estruturou um pacote robusto de financiamento que inclui o BNDES e agências de crédito à exportação do Canadá, França e também da própria Austrália.

A agência canadense EDC demonstrou interesse em fornecer até US$ 100 milhões, enquanto o banco francês Bpifrance também sinalizou um aporte de valor semelhante para apoiar a fase de execução mineira.

Além disso, o projeto foi selecionado para um fundo estruturado pelo BNDES e pela Vale, voltado para minerais críticos, garantindo tranches de capital para as etapas iniciais de pesquisa e engenharia.

Parceria tecnológica com a Solvay e reciclagem

A Viridis firmou um acordo estratégico com a multinacional belga Solvay para o fornecimento de terras raras, visando abastecer uma das maiores plantas de separação do mundo, localizada em La Rochelle, na França.

Em troca, o Brasil receberá transferência de tecnologia para o processamento desses minerais, acelerando a criação de uma cadeia produtiva completa e sofisticada dentro do território nacional nos próximos anos.

Outra frente inovadora é a joint venture Viridion, que focará na reciclagem de ímãs permanentes, criando um polo de inovação em Poços de Caldas para reaproveitar materiais de equipamentos em fim de vida útil.

A disputa entre grandes potências globais

A movimentação da União Europeia e de empresas australianas no Brasil reflete a tentativa global de reduzir a dependência da China, que hoje controla 90% do refino desses minerais tão essenciais.

Com reservas estimadas para 20 anos de exploração, o Brasil se posiciona como um porto seguro para investimentos que buscam sustentabilidade e segurança no fornecimento de tecnologia de ponta para o futuro.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes acessando a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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