Embraer divulga o primeiro protótipo de carro voador no Reino Unido

O planejamento da empresa é lançar o veículo, também conhecido como aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), em 2026. Crédito: Eve Air Mobility (Eve)

A Embraer, sob a liderança de Francisco Gomes Neto, reportou um lucro líquido ajustado de R$ 832 milhões em 2025, apesar de uma queda de 20,3% em relação a 2024. A empresa planeja entregar 80 a 85 aviões comerciais em 2026, mas enfrenta desafios na cadeia de suprimentos. A Embraer também explora uma parceria com o Adani Group para uma fábrica na Índia, dependendo de pedidos firmes. Gomes Neto destaca um cenário positivo, apesar das dificuldades econômicas e da necessidade de apoio governamental para novos projetos.

Foto: Divulgação/Embraer

Francisco Gomes NetoPresidente da Embraer

Apesar de analistas de bancos apontarem que a Embraer está com projeções conservadoras para seus resultados de 2026, o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, afirma que o cenário da empresa é “muito positivo”. “Com exceção da geração de caixa e do ponto inferior da entrega da aviação comercial, tudo é muito positivo”, disse ao Estadão.

A Embraer divulgou nesta sexta-feira, 6, que registrou, no ano passado, um lucro líquido ajustado de R$ 832 milhões, queda de 20,3% na comparação com 2024. O lucro líquido atribuível aos acionistas, porém, foi de R$ 447,5 milhões — alta de 69,3%. A empresa informou ter pagado US$ 80 milhões no ano em tarifas aos Estados Unidos, após a imposição de impostos pelo presidente Donald Trump.

A Embraer afirmou ainda esperar entregar entre 80 e 85 aviões comerciais em 2026 e ter um fluxo de caixa livre ajustado de US$ 200 milhões. Segundo Gomes Neto, o número mínimo previsto de aeronaves comerciais é mais conservador porque a empresa ainda sente que a cadeia de fornecimento de peças não está funcionando 100%. Desde a pandemia, o setor sofre com problemas de falta de suprimentos. As ações da empresa fecharam o dia em queda de 8%.

“Para mim, o resultado foi muito positivo. Crescemos 18% em vendas de um ano para o outro. Mas estamos em um momento de conjuntura muito difícil. Isso impacta não só a Embraer, mas um monte de empresas”, acrescentou o executivo.

Sobre a fábrica de jatos comerciais que a empresa pretende instalar na Índia, Gomes Neto disse que ela ainda depende da concretização de encomendas de aviões. Ele ponderou que, se as encomendas forem feitas ainda neste ano, as primeiras unidades serão entregues já em 2028.

“Estamos discutindo esses detalhes (da sociedade com a empresa indiana Adani, que deverá ser parceira na fábrica), mas o mais importante aqui é ter os pedidos. Uma vez que tenhamos os pedidos firmes, equacionamos isso de forma extremamente rápida.”

Confira, a seguir, trechos da entrevista:

O resultado da Embraer no último trimestre de 2025 dividiu o mercado, e analistas apontaram que as projeções para 2026 estão conservadoras. Como o sr. avalia essa reação?

Para mim, o resultado foi muito positivo. Crescemos 18% em vendas em dólar de um ano para o outro. Mas estamos em um momento de conjuntura muito difícil. Isso impacta não só a Embraer, mas um monte de empresas. Sobre o guidance (projeções para 2026), talvez o ponto inferior seja o de entregas da aviação comercial. Vamos entregar de 80 a 85 aeronaves. No ano passado, foram 78. Então, sim, pode ser (um número conservador), mas nosso foco é entregar 85. A Embraer gosta de entregar o que promete e, como não estamos 100% seguros com a cadeia de suprimentos, entramos com projeções mínimas e máximas. Na aviação executiva, entregamos 155 aviões no ano passado e, neste ano, estamos projetando de 160 a 170. Nesse caso, a cadeia de suprimento está um pouco melhor. Estamos preparando a companhia para, no ano que vem, ela ter boas chances de chegar a cem aviões comerciais. Desde 2022, nossa receita cresce em média US$ 1 bilhão por ano.

Mas as projeções para geração de caixa foram mais conservadoras?

A geração de caixa, projetamos que em 2026 seja a mesma do ano passado. Aí podemos ter tido uma visão mais conservadora. Mas, com exceção do caixa e do ponto inferior da entrega da aviação comercial, tudo é muito positivo.

Vocês anunciaram, em janeiro, uma parceria para ter uma fábrica de aviões comerciais na Índia. Como vai funcionar essa parceria?

Temos duas oportunidades na Índia. Uma na área de defesa, com o KC-390 (avião militar da empresa), que está avançando. Estamos esperando a solicitação de proposta por parte do cliente (o governo indiano), que deve chegar neste ano. A outra, mais recente, é a da aviação comercial. Estamos trabalhando uma oportunidade em linha com o Udan, um programa (do governo indiano) para estimular a aviação regional. Estamos levando para lá o nosso jato E-175, menor, com menos assentos, apropriado para um fluxo menor de passageiros entre cidades menores, mas rápido, confortável e consolidado no mercado em termos de performance. Se tivermos um pedido de mais de 200 aviões, podemos fazer a montagem final dessas aeronaves na Índia. Com isso, aproveitamos a demanda local e expandimos nossa capacidade de produção.

Não está confirmada, então, a instalação dessa nova fábrica?

Não. Preciso do pedido de aviões para isso. Estamos avançando nas conversas. Assinamos um memorando de entendimento com um parceiro importante, o Adani Group, e estamos conversando sobre onde e como poderia ser essa fábrica. Ao mesmo tempo, estamos conversando com o governo, porque vamos precisar de apoio governamental, e com as linhas aéreas que podem comprar os aviões. Mas, se não tiver pedido de avião, não tem fábrica.

Quão provável é que isso aconteça?

Não sei te responder, mas, se recebermos um pedido ainda em 2026, os primeiros aviões serão entregues até o fim de 2028.

Qual deve ser a participação da Embraer e da Adani nessa parceria?

Estamos discutindo esses detalhes, mas o mais importante aqui é ter os pedidos. Uma vez que tenhamos os pedidos firmes, equacionamos isso de forma extremamente rápida.

A Gol, que sempre operou apenas aviões da Boeing, anunciou que começará a voar também aeronaves da Airbus, o que reforça a possibilidade de a empresa usar jatos da Embraer também. Como estão as conversas com a companhia?

A gente vem conversando com a Gol. Já fizemos isso com a Latam e, anteriormente, com a Azul. Temos muito interesse em introduzir nossos aviões na Gol. O avião que a Gol está começando a usar é um modelo grande da Airbus. Então, recebemos com um positivismo essa notícia, porque quebrou o modelo de frota única da Gol e isso abre uma porta também para eles melhorarem a parte de (aviões de) menor capacidade. Estamos conversando, mas isso agora vai depender do momento da Gol.

Desde a pandemia, a indústria aeronáutica sofre com falta de peças. Qual a perspectiva para o problema?

A situação está melhorando. Tivemos um começo de ano melhor, ainda com algumas dificuldades. O que a gente ainda enfrenta são atrasos na chegada das peças. A gente tem que movimentar a linha de montagem do avião e não tem a peça. Aí chega um momento em que não cabe mais o avião na linha. Mas estamos muito positivos com a entrega de aviões para este ano.

Acha que esse problema pode ser resolvido ainda em 2026?

Resolvido 100% é difícil dizer. Mas, de 2022 até agora, estamos crescendo a produção em US$ 1 bilhão por ano. Então, a gente quer que o fornecedor entregue no prazo e, ao mesmo tempo, a gente aumenta a demanda por peças. Os fornecedores crescem, mas não no ritmo que a gente quer. Acho que, a partir do ano que vem, a gente atingirá um nível de produção mais estável, o que vai ajudar muito.

A partir de 2027, o ritmo de crescimento da Embraer deve desacelerar então?

Queremos chegar até 2030 fazendo cerca de 120 aviões comerciais e 200 aviões executivos por ano. Estamos trabalhando para chegar a 100 aviões comerciais em 2027. Uma coisa é sair de 60 para 100 e outra de 100 para 120. É essa estabilidade que vai ajudar o fornecedor.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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