Diretor do BC à PF diz que BRB deveria ter identificado fraudes nas carteiras do Master

Em audiência no STF em 30 de dezembro, Ailton de Aquino diz que governança do banco tinha como ter detectado problemas. Crédito: Imagens: STF

BRASÍLIA — O caso Master levou um dos maiores fornecedores de medicamentos do Distrito Federal a pedir para não receber mais os pagamentos no Banco de Brasília (BRB), investigado por irregularidades com o banco de Daniel Vorcaro.

A Oncoprod, fornecedora de medicamentos da Secretaria de Saúde do DF, encaminhou um ofício à Secretaria de Saúde do DF pedindo para que os pagamentos devidos não fossem mais transferidos para a conta da empresa no BRB, mas passagem a ser depositados no Banco do Brasil.

Só no passado, a empresa recebeu R$ 7,3 milhões do Distrito Federal, figurando entre os 12 maiores fornecedores de medicamentos em uma lista com 152 empresas. Procurada, a distribuidora de medicamentos não comentou. O BRB e a Secretaria de Saúde também não se pronunciaram.

No documento, a Oncoprod cita a investigação do Banco Central envolvendo operações de risco com o Banco Master e o afastamento de dirigentes do Banco de Brasília após apurações da Polícia Federal.

“Dada a criticidade das informações veiculadas, conforme corroboram as fontes mencionadas acima, a Contratada manifesta seu receio na manutenção de relacionamento com o Banco em questão – que, conforme já esclarecido, se mantém apenas em razão dos fornecimentos prestados à SES-DF, de modo a viabilizar os recebimentos”, diz o ofício.

Decreto obriga DF a pagar fornecedores acima de R$ 5 mil em contas do BRB

Um decreto de 2011 obriga o governo a efetuar o pagamento de fornecedores acima de R$ 5 mil exclusivamente em contas no BRB, controlado pelo Distrito Federal. A Secretaria de Saúde acionou o departamento jurídico para avaliar a questão.

A transferência da conta pode ferir os contratos e o decreto, mas há uma margem para questionamentos envolvendo compliance e segurança jurídica por conta da crise do BRB.

Para justificar o pedido, a distribuidora de medicamentos afirmou que “é detentora de íntegra reputação no mercado, construída sob princípios sólidos e condutas que reforçam a confiança e a credibilidade que conquistou ao longo de décadas, razão pela qual possui rigorosa política de conformidade/compliance para balizar o relacionamento com clientes e fornecedores.”

A crise do Banco Master levou o BRB à ameaça de intervenção ou liquidação pelo Banco Central, como admitiu o governo do DF. O governador Ibaneis Rocha (MDB) encaminhou um projeto de lei para a Câmara Legislativa pedindo autorização para fazer um aporte no BRB oferecendo nove imóveis públicos. O projeto foi sancionado e virou lei, mas foi parar na Justiça.

O projeto de aporte, que salvaria o BRB, chegou a ser derrubado pela Justiça do Distrito Federal. A decisão foi revertida, mas os recursos ainda estão sendo julgados. O BRB tem até o dia 31 de março para publicar o balanço financeiro de 2025, mostrar o tamanho do prejuízo gerado com o Master e as soluções para se manter em pé. O banco negocia com o Banco Central um adiamento no prazo que não deve ser concedido.

O presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, disse a deputados distritais que, caso o aporte não seja realizado, o banco corre o risco de parar de funcionar e paralisar uma série de programas sociais do Distrito Federal, incluindo o transporte público e a distribuição de medicamentos de alto custo.

O rombo do Master levou o BRB a uma crise de liquidez, capital e governança, segundo dirigentes da instituição. O banco passou a vender ativos de alta qualidade no mercado financeiro, como carteiras de crédito consignado, para recuperar a liquidez, e agora tenta um aporte do Distrito Federal para continuar operando.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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