A relação comercial entre o Brasil e o bloco europeu enfrenta um novo capítulo de tensão. Desde o início de setembro, novas regras sobre o uso de medicamentos em animais de produção entraram em vigor.

O setor produtivo brasileiro e o governo acompanham de perto os impactos dessas medidas, que podem restringir o acesso da nossa proteína animal a um dos mercados mais exigentes do mundo.

A grande polêmica gira em torno da segurança alimentar versus o protecionismo comercial, com o Brasil defendendo a qualidade de seus produtos, conforme divulgado pelo Estadão.

Desafios e impactos das novas regras da União Europeia na carne brasileira

No dia 3 de setembro, começaram a valer as normas da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção de itens como carnes e mel, o que afeta diretamente a lista de países exportadores.

O Brasil, que ficou de fora da lista inicial de países aptos, reforça que possui padrões sanitários rigorosos. O governo brasileiro tem reiterado a qualidade e a segurança da nossa agropecuária em diversos fóruns.

O rigor sanitário e o padrão de qualidade nacional

É fundamental destacar que a carne brasileira é competitiva e saudável. Existem evidências científicas de que o uso de antibióticos no tratamento animal não resulta necessariamente em ingestão humana.

Por determinação da Anvisa e do Ministério da Agricultura, animais tratados com esses medicamentos passam por um período de carência. Esse tempo serve para que o organismo elimine as substâncias antes do abate.

Além disso, o país segue o Codex Alimentarius e mantém o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes. Análises laboratoriais garantem que os resíduos sejam zero ou fiquem abaixo dos limites.

A disputa entre sanidade e barreiras comerciais

O uso de medicamentos na pecuária é essencial para manter a sanidade do rebanho e a produtividade. Sem esses recursos, o custo de produção sobe, como ocorre no nicho de alimentos orgânicos, que são mais caros.

Há indícios de que a União Europeia possa avaliar cada cadeia produtiva separadamente. Existe a expectativa de uma liberação mais rápida para a carne de frango, mas a preocupação com a carne bovina ainda permanece.

A Sociedade Rural Brasileira afirma que a “postura da UE está muito mais relacionada a uma barreira comercial do que propriamente a uma questão específica de segurança alimentar”, o que gera alerta no setor.

Propostas para garantir o acesso ao mercado europeu

Para evitar o banimento total de tecnologias, defende-se a adoção de sistemas de segregação. Isso envolveria a habilitação de fazendas específicas para atender às exigências europeias sem prejudicar o restante do mercado.

O Brasil se mostra pronto para produzir carnes sem antimicrobianos caso haja demanda, mas ressalta que isso exige uma valorização financeira, assim como ocorre com outros produtos diferenciados voltados à exportação.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes na íntegra através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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