A revolução tecnológica promete transformar a economia global, mas uma pergunta fundamental continua sem resposta clara para a maioria das pessoas. Afinal, quem será o verdadeiro beneficiário da produtividade gerada por essas ferramentas?

Recentemente, dois exemplos distintos mostraram como essa tecnologia pode atuar em frentes opostas. Enquanto algumas ferramentas facilitam a vida do cidadão comum, outras são usadas por corporações para maximizar lucros e repassar custos.

Essa disputa silenciosa envolve desde o tempo gasto em chamadas telefônicas até a forma como hospitais e planos de saúde negociam valores de tratamentos médicos complexos, conforme divulgado pelo Estadão.

A Inteligência Artificial e a disputa pelos ganhos de eficiência

Duas notícias recentes trouxeram luz sobre quem deve ficar com o dinheiro economizado pela tecnologia. O Google começou a testar o recurso Call for Me, onde o Gemini liga para empresas em nome do usuário.

O assistente virtual navega por menus automáticos, espera na linha e conduz a conversa até resolver o pedido. Segundo a fonte, o usuário pode acompanhar a transcrição em tempo real e assumir a ligação quando quiser.

Essa ferramenta resolve uma assimetria antiga, onde empresas criam esperas longas como filtros para desistências. Com a IA assumindo o custo do tempo, parte do poder de negociação volta para as mãos dos consumidores.

A tecnologia usada para inflar contas e custos

Por outro lado, uma análise do New York Times revelou que hospitais americanos utilizam ferramentas de IA para documentar melhor detalhes de internações. Isso permite adicionar diagnósticos secundários que elevam o preço final.

Na prática, isso significa que a mensalidade do plano de saúde deve aumentar, e o empregador acabará repassando esse custo extra para o salário do trabalhador, reduzindo o seu poder de compra real no fim do mês.

O economista Richard Thaler chamou esse atrito de sludge, que é o oposto do seu famoso conceito de nudge. Com a tecnologia, esse atrito deixa de ter um custo considerável para quem domina a ferramenta digital.

Quem realmente controla a tecnologia leva a melhor?

Existe um consenso de que a inteligência artificial gerará grandes ganhos de eficiência, mas não há clareza sobre o destinatário desses valores. Na economia, isso é comparado à incidência tributária e ao poder de cada lado.

A incidência econômica depende da capacidade de cada parte reagir ao preço e repassar o custo adiante. O ganho de eficiência tende a ficar com quem controla a tecnologia e consegue transferir custos para a outra parte.

É possível também que ninguém vença. Operadoras já respondem aos hospitais com algoritmos próprios para contestar contas, criando uma disputa entre máquinas que apenas eleva o custo administrativo de todo o sistema.

O risco de pagar a conta final da inovação

No momento atual, os ganhos de eficiência da IA ainda não possuem um destinatário definido. O resultado final dependerá diretamente da concorrência e do poder de negociação de cada setor envolvido nessa transição.

Quem não estiver atento a essa divisão ou não souber utilizar as novas ferramentas corre o risco de ser apenas quem paga a conta. O equilíbrio de poder econômico está sendo reescrito por linhas de código e algoritmos.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria completa através deste link: Estadão | Inteligência artificial: bilhões em ganhos de eficiência, mas para quem?

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