A entrevista do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, ao Estadão, nesta quarta-feira, não caiu bem dentro do Banco Central. A sensação no órgão, segundo apurou a reportagem, é de que o BRB tentou criar um fato consumado ao afirmar que já existem negociações em andamento para que o banco adie a execução do seu plano de socorro sem que penalidades sejam apresentadas pelo órgão regulador, no caso, o próprio Banco Central.

Por isso, a avaliação dentro do BC é de que “todas as opções” estão sobre a mesa para lidar com a crise patrimonial do BRB, incluindo cenários mais brandos, como a aplicação da resolução 4019, até medidas mais extremas, como a intervenção, a troca de acionistas, e até mesmo a liquidação da instituição financeira.

O BRB, na verdade, já está sob efeitos da 4019, mas apenas com a vedação de que o banco público compre carteiras de crédito de outros bancos. Isso aconteceu no terceiro trimestre de 2025, depois de o BRB ter comprado R$ 21 bilhões de créditos do banco Master. Foram R$ 9 bilhões ao longo de 2024, e mais R$ 12 bilhões, em 2025, de carteiras originadas pela Tirreno e que levaram às suspeitas de fraude e à primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Para o Banco Central, portanto, os prazos dados para que o BRB se reenquadre já estão correndo há muitos meses, ainda que Nelson Antonio de Souza, o novo presidente da instituição financeira, tenha tomado posse há menos tempo, no dia 19 de novembro do ano passado, após o afastamento de Paulo Henrique Costa.

Dentro do BC, cresce a avaliação de que apenas a resolução 4019 não é suficiente para lidar com a crise patrimonial do BRB. Essa norma acaba tendo o efeito de limitar o crescimento do banco, ou forçar a sua diminuição. No caso do BRB, como o banco terá que apresentar um buraco em seu balanço, por causa das perdas com o Master, será necessário o aporte do acionista controlador, o governo do Distrito Federal.

O governador Ibaneis Rocha, contudo, não teria, na visão do Banco Central, demonstrado empenho nesse aporte, em grande parte por causa das eleições deste ano. O caso tem sido explorado pela oposição a Ibaneis no DF, que conseguiu uma liminar na Justiça para barrar uma proposta de capitalização envolvendo a criação de um fundo imobiliário com ativos do GDF. A criação do fundo, desde o início, foi vista como uma solução engenhosa e que demandaria muito mais tempo do que o BRB de fato dispõe.

Crises bancárias, por sua vez, demandam soluções rápidas e não podem esperar o tempo da política. Por isso, o Banco Central vai exigir que o BRB apresente, até o dia 31 de março, prazo limite para a divulgação do seu balanço, o encaminhamento da solução para o problema.

Em conversa com o Estadão, Nelson Antonio de Souza afirmou que o empréstimo do GDF para injeção de recursos passaria a ser o item número 1 do plano a partir de agora.

De um jeito ou de outro, BRB e governo do DF terão que correr. Como regulador do sistema financeiro, o Banco Central não parece disposto a conceder novos prazos sem a certeza de serão cumpridos.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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