Vorcaro é preso em nova fase da Operação Compliance Zero
Ministro André Mendonça, do STF, também determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos alvos da terceira fase da Compliance Zero. Crédito: Estadão
A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, 4, é a maior vitória do Banco Central desde que o Master foi liquidado, em novembro do ano passado. A grande dúvida é se o ministro Dias Toffoli, que ficou por dois meses como relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), teria tomado a mesma decisão do ministro André Mendonça, que autorizou as prisões do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu cunhado Fabiano Zettel. Tudo indica que não.
As informações contidas no relatório da PF são extremamente graves e mostram que o Banco Central estava enfrentando uma organização criminosa, capaz de planejar ataques violentos contra jornalistas, e que incluía dois dirigentes do próprio BC. Eles recebiam mesada do banqueiro para atuar como consultores e repassar informações de dentro da autoridade monetária para burlar a supervisão feita pelo órgão.

Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Foto: Rafa Neddermeyer/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O caso Master fugiu do padrão normal de fiscalização bancária e virou caso de polícia com a cooptação de servidores da alta cúpula do BC que atuavam infiltrados no órgão. A operação de hoje também mostra que o BC acertou em abrir uma investigação interna, que levou ao afastamento do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe de departamento de Supervisão Bancária do BC Belline Santana, em janeiro passado.
Foi com base nessas informações, repassadas pelo BC à PF, que Mendonça autorizou as prisões e todas as medidas cautelares que envolveram os ex-dirigentes do banco. Segundo a PF, eles receberam mesada, forjaram a prestação de serviços, e até uma viagem à Disney de Paulo Sérgio com a família teria contado com a ajuda de Vorcaro.
Pessoas próximas ao BC informam que a relação do presidente do Banco Central Gabriel Galípolo com Paulo Sérgio não era boa em relação à fiscalização do Master e que houve discussões acaloradas entre eles envolvendo o banco. Galípolo, por ter sido presidente do Fator, um banco pequeno para médio como o Master, estranhava os números do balanço do Master que eram defendidos pelo ex-diretor.
Agora, sabe-se que Paulo Sérgio orientava Vorcaro sobre como se portar em reuniões com o Banco Central, revisava documentos do Master que depois seriam analisados pelo próprio BC, além de informar ao banqueiro sobre movimentações financeiras que eram detectadas pelo órgão, para que desse tempo de ele maquiar as operações.
Tanto Paulo Sérgio quanto Belline participavam de um grupo de Whatsapp com Vorcaro para discutir estratégias e compartilhar documentos, segundo as investigações. Agora são suspeitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de participar de organização criminosa.
Ambos são servidores com décadas de carreira dentro do Banco Central. Paulo Sérgio foi indicado ao cargo de diretor pelo ex-presidente Michel Temer, foi sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, e participava das reuniões do Copom. De 2017 a 2023, seu voto era contabilizado para a definição da taxa básica de juros.
Ainda que tenha sido atingido pela atuação interna de servidores, o BC respira aliviado por ter cortado antes na carne, e por entender que com Mendonça as investigações seguirão um curso diferente do que aparentava com Dias Toffoli.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







