A guerra no Irã disparou os preços internacionais do petróleo e interrompeu o trânsito de navios, repercutindo diretamente nos custos da construção civil. O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon‑SP) já registra aumentos expressivos em materiais essenciais.

Os reajustes já observados incluem 12% no preço do cimento, 10% novos aumentos anunciados recentemente, e 8% no custo do aço. O salto mais dramático foi de 100% nas resinas e polímeros importados, que dobram os preços de tubos e conexões plásticas.

Esses números foram divulgados pelo Sinduscon‑SP e compartilhados em primeira mão com a coluna do Estadão, destacando a preocupação do presidente Yorki Estefan com a inflação que pressiona o setor.

Impactos imediatos nos custos de construção

O aumento dos preços de insumos afeta diretamente derivados como argamassa, concreto e blocos. Como ainda não foram incorporados ao Índice Nacional dos Custos da Construção (INCC), os impactos podem ser ainda maiores quando o índice for divulgado pela FGV.

Comparação com a pandemia de 2020

Yorki Estefan compara a crise atual ao cenário de 2020, quando a Covid‑19 desestruturou cadeias de suprimento e elevou preços. “Estamos vivendo um momento parecido com o da época da Covid, quando houve desestruturação na cadeia de fornecedores e disparada dos preços de insumos”, afirma.

Perspectivas de novos reajustes

O sindicato alerta que outros insumos, como tintas, devem subir quando os estoques locais se esgotarem. Mesmo que a guerra cessasse imediatamente, a normalização das cadeias produtivas levaria tempo.

Consequências para obras e imóveis

Com custos mais altos, empresas podem adiar o início de obras ou reduzir o ritmo nos canteiros, aguardando um ambiente de preços mais estável. Quem tem flexibilidade no calendário de entrega pode segurar projetos.

Projetos de imóveis de classe média (entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão) correm risco de perder viabilidade, já fragilizados por juros altos. No programa Minha Casa Minha Vida, a pressão é ainda maior, pois as construtoras repassam custos ao financiamento antes da entrega, comprometendo margens de lucro.

Possível alta nos preços de venda

Para compensar os aumentos, as construtoras tendem a elevar o preço de venda das unidades na planta. “As empresas não vão conseguir absorver esses aumentos de custos. O preço do imóvel novo com certeza vai ficar maior”, estima Estefan.

Sincronia nos reajustes e ação do Cade

O Sinduscon‑SP percebe um padrão de reajustes simultâneos entre as cimenteiras, sugerindo coordenação de preços. “Vemos todas pedindo reajuste do mesmo valor, ao mesmo tempo. Estamos avaliando até recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, comenta.

Esta matéria tem como base a publicação original da Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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