O Brasil, uma potência global na produção de celulose, está prestes a ver uma revolução em sua infraestrutura logística. Um investimento monumental de R$ 2 bilhões, liderado pela companhia chilena Arauco, impulsionará a construção de um moderno terminal portuário.

Este terminal será erguido no Porto de Santos, um dos mais movimentados da América Latina. Ele é a peça-chave de um complexo sistema de transporte de 1.050 quilômetros, projetado para escoar a produção daquela que será a maior fábrica de celulose do mundo, localizada em Inocência, Mato Grosso do Sul.

A iniciativa promete otimizar o fluxo de exportação e solidificar a posição do país no mercado internacional. A aprovação técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq, já foi concedida, abrindo caminho para o início das obras, conforme divulgado pelo Estadão.

Arauco Conecta Mato Grosso do Sul ao Mercado Global com Novo Terminal de Celulose em Santos

O investimento da Arauco no terminal de celulose em Santos representa o pilar final de um projeto logístico de R$ 4,4 bilhões. Ele é destinado a integrar a nova fábrica de celulose em Inocência, Mato Grosso do Sul, com os mercados consumidores externos, especialmente na Ásia.

Este terminal, localizado na margem direita do porto, no bairro da Alemoa, será responsável por receber a celulose e realizar o embarque em navios de grande porte. Sua viabilização é resultado da aquisição da concessão do TUP Alemoa S/A, que pertencia à empresa Terminal Marítimo Alemoa S.A., a Alempor.

A concessão já possui as licenças necessárias para a construção. A transação e o projeto de investimento receberam autorização técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq, na última quinta-feira, dia 26. O aval final do Ministério de Portos e Aeroportos, o MPor, é esperado em até 90 dias.

Alberto Pagano, diretor de Logística da divisão de celulose da Arauco no Brasil, explicou a escolha estratégica da empresa. “Como Santos tem atualmente limitações de infraestrutura, avaliamos alternativas brownfield, expansão de estruturas já existentes, e greenfield, construção do zero. A opção da empresa foi por um TUP, Terminal de Uso Privativo”, disse ao Estadão.

Com a aprovação da Antaq, a Arauco pode avançar com o licenciamento ambiental. A construção do terminal em Santos ocupará uma área de 200 mil metros quadrados. As obras incluem dragagem, berços de atracação para navios, piers, defensas e estruturas de armazenagem de celulose, onshore.

Inicialmente, dois berços serão construídos, com um terceiro previsto para o futuro, garantindo a capacidade de operação. Em nota, Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil, destacou a importância estratégica do projeto. “A definição do terminal representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência”, afirmou.

A Mega Fábrica de Celulose em Inocência, MS

No coração do Mato Grosso do Sul, na cidade de Inocência, com cerca de 8,8 mil habitantes, a Arauco está erguendo o Projeto Sucuriú, a maior planta industrial de celulose do mundo. Com um investimento total de US$ 4,6 bilhões, o equivalente a R$ 24,15 bilhões, a fábrica terá capacidade para produzir impressionantes 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra de eucalipto por ano.

Quase a totalidade, 98%, de sua produção será destinada à exportação. Atualmente, o canteiro de obras da fábrica emprega cerca de 11 mil trabalhadores, número que deve atingir 14 mil no pico da construção, previsto para julho a agosto.

A previsão é que a produção comece em aproximadamente 20 meses, ou seja, no quarto trimestre de 2027. Isso demanda que toda a infraestrutura logística esteja pronta simultaneamente para evitar atrasos na exportação da celulose.

Logística Integrada: Ferrovias e Navios de Última Geração

O pacote logístico para o escoamento da celulose, orçado em R$ 4,4 bilhões, não se limita ao terminal portuário. Ele abrange também a construção de um ramal ferroviário de 50 quilômetros, a aquisição de locomotivas e vagões, criando uma malha eficiente entre a fábrica de Inocência e o Porto de Santos.

A operação ferroviária será conduzida em parceria com a Rumo Logística, do grupo Cosan, por meio de um contrato de 10 anos. A Arauco já investiu R$ 2,4 bilhões na aquisição de 26 locomotivas, fabricadas em Contagem, Minas Gerais, pela Wabtech, e 721 vagões, montados em Araraquara, São Paulo, pelo grupo gaúcho Randon.

Essa escolha pela ferrovia promete tirar até 200 caminhões das estradas diariamente, contribuindo para a segurança e a redução de emissões de CO2. Para o transporte marítimo, a empresa prevê o despacho da celulose em embarcações com capacidade para transportar entre 50 mil e 80 mil toneladas.

Alberto Pagano informou que já foram firmados contratos com armadores internacionais, que, por sua vez, encomendaram navios em estaleiros na China, principal destino da celulose brasileira. O calado do terminal de celulose em Santos será de 14,5 metros, adequado para esses navios de grande porte.

O cronograma é rigoroso: 18 meses de obras para o terminal, com conclusão prevista para setembro de 2027. O objetivo é que as obras da unidade industrial em Inocência e do ramal ferroviário sejam concluídas ao mesmo tempo. “Tudo planejado para acontecer simultaneamente. Não pode ocorrer nada que atrase os embarques de celulose”, enfatizou Pagano.

Impacto e Financiamento do Projeto

O investimento em logística e infraestrutura, que totaliza R$ 4,4 bilhões, está sob análise para financiamento através de diversas opções. Incluem linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, e do Fundo da Marinha Mercante, o FMM.

Essa busca por financiamento estratégico reforça a dimensão e a importância do projeto para a economia nacional. A implantação do terminal de celulose em Santos e do ramal ferroviário gerará um significativo número de empregos.

Serão 1.850 funcionários envolvidos na construção do terminal portuário, e entre 350 e 400 pessoas na sua operação. Em Inocência, as obras do ramal ferroviário, iniciadas em fevereiro, já contam com a contratação de mil profissionais, movimentando a economia local e regional.

Além do impacto econômico direto, o projeto trará benefícios ambientais notáveis. A opção pelo transporte ferroviário para o ciclo logístico de 1.050 km, da fábrica ao porto, resultará na redução do tráfego de até 200 caminhões por dia nas rodovias.

Esta medida não só aumenta a segurança nas estradas, mas também contribui significativamente para a diminuição das emissões de dióxido de carbono, o CO2, fortalecendo as práticas de sustentabilidade da Arauco e o compromisso ambiental.

A fonte original desta notícia é o Estadão. Para mais informações, acesse: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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