Estratégia da Ambipar para viabilizar reestruturação

A Ambipar está em meio a uma complexa recuperação judicial e busca alternativas para reestruturar suas dívidas. A companhia concentra seus esforços atuais em negociações diretas com os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, conhecidos como bondholders, visando um acordo decisivo.

A movimentação é vista como um passo estratégico para contornar resistências. Segundo informações apuradas, uma proposta já está sob análise desses investidores internacionais, conforme divulgado pelo Estadão.

Esta abordagem acaba por isolar outros grupos de credores, especialmente os bancos, que mantêm uma postura firme contra as condutas da empresa que resultaram no pedido de proteção judicial no ano passado.

Impacto do isolamento dos bancos na recuperação

Os bancos questionam diversos pontos do processo, incluindo a escolha da Justiça do Rio de Janeiro para a condução do caso. Eles alegam que a matriz da Ambipar não está localizada na região, o que gerou sucessivas contestações jurídicas.

Um interlocutor próximo à companhia afirmou que, se o acordo com os bondholders for concluído, a empresa terá força para aprovar o plano mesmo sem o aval dos bancos. Isso ocorre porque esses títulos representam a maior fatia do passivo total.

Divisão da dívida e posições dos credores

A situação financeira da Ambipar é robusta em termos de volume, com um passivo total declarado de R$ 10,5 bilhões. Desse montante, os títulos emitidos no exterior somam R$ 5,4 bilhões, sendo a maior parcela dos créditos envolvidos.

O cenário é completado por R$ 3 bilhões em debêntures e R$ 2 bilhões devidos a bancos. Vale destacar que o BTG Pactual teria adquirido R$ 800 milhões em títulos, posicionando-se de forma ativa no mercado de dívida da empresa.

Sentimento de demora e decisões judiciais

Existe um forte descontentamento por parte dos credores financeiros quanto à lentidão do processo. O deferimento da recuperação ocorreu em outubro de 2025, mas os recursos dos bancos só foram julgados em maio de 2026.

Recentemente, a 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou, por unanimidade, recursos de instituições como BMG, Santander e Itaú, mantendo o curso do processo da companhia.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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