A escalada dos preços dos fertilizantes está gerando preocupação em economias emergentes, sobretudo na África e no sul da Ásia. A consultoria Capital Economics revelou que o aumento pode elevar a inflação de alimentos e pressionar as contas públicas desses países.

Um dos principais gatilhos foi a guerra no Irã, que elevou em 50% o preço da ureia, fertilizante nitrogenado mais usado no mundo. Como cerca de 15% da oferta global vem do Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Ormuz dificultou a logística, ampliando o impacto nos mercados.

O Brasil, embora beneficiado por uma menor demanda imediata, ainda enfrenta o desafio de reduzir sua dependência de importação. Soluções como biofertilizantes são apontadas, mas não bastam para suprir a necessidade crescente, conforme divulgado pelo Estadão.

Consequências da alta dos fertilizantes nas economias vulneráveis

Inflação de alimentos e repasse ao consumidor

A Capital Economics estima que aproximadamente 45% do aumento nos preços dos fertilizantes será repassado ao consumidor, elevando a inflação de alimentos de forma gradual. Nos países de baixa renda, onde a agricultura representa entre um quarto e um terço do PIB, a redução na aplicação de nutrientes afeta diretamente a atividade econômica.

Riscos ao balanço de pagamentos e pressão fiscal

Na Etiópia, Quênia e outras nações africanas, o aumento das importações de fertilizantes pode deteriorar as contas externas. Governos de Egito, Indonésia e Bangladesh podem precisar ampliar subsídios alimentares, gerando custos fiscais relevantes.

Perspectiva para grandes produtores

Produtores do Hemisfério Sul – Brasil, Argentina e Austrália – não deverão demandar grandes volumes de fertilizantes até o segundo semestre, o que alivia temporariamente a pressão. China, Rússia e Índia mantêm níveis de autossuficiência ou estoques elevados.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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