As contas públicas brasileiras voltaram a acender o sinal vermelho após o fechamento do mês de maio. O rombo bilionário levanta novas dúvidas sobre a real sustentabilidade das políticas econômicas vigentes.

Economistas renomados apontam que as metas estabelecidas podem estar em risco diante do crescimento acelerado das despesas obrigatórias. O cenário exige atenção redobrada do mercado financeiro e de toda a população.

O resultado negativo foi puxado principalmente pelo desempenho do Tesouro Nacional e da Previdência Social, conforme divulgado pelo Estadão.

Por que o déficit primário e o arcabouço fiscal preocupam tanto os economistas?

O governo central registrou um déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio de 2026. Esse valor representa uma queda brusca após o resultado positivo de R$ 25,198 bilhões observado no mês de abril.

O número veio em linha com as projeções do mercado, que já esperavam um saldo negativo. No entanto, o montante reafirma a pressão sobre o arcabouço fiscal, que tenta equilibrar receitas e gastos públicos.

No acumulado de 12 meses, o déficit soma R$ 142,3 bilhões, o que equivale a 1,06% do PIB. Esse cenário coloca em dúvida o cumprimento da meta fiscal estabelecida para o ano, que prevê um superávit de 0,25%.

Números negativos superam os registros de anos anteriores

O déficit de maio foi significativamente maior do que o registrado no mesmo período de 2025. Naquela época, o saldo negativo foi de R$ 40,249 bilhões, evidenciando uma deterioração nas contas do Tesouro Nacional.

As despesas do governo cresceram 9,4% em maio, já descontada a inflação. Enquanto isso, as receitas totais tiveram uma alta real de apenas 5,5%, mostrando que o gasto público está subindo em ritmo acelerado.

Apesar de a arrecadação com impostos ter atingido níveis recordes para meses de maio, o aumento das obrigações impediu um alívio financeiro. O descompasso entre o que entra e o que sai preocupa os analistas.

A visão crítica de Marcos Mendes sobre o modelo atual

O economista Marcos Mendes expressou duras críticas durante um painel recente. Para ele, o arcabouço fiscal é apenas uma nova versão do teto de gastos, ressaltando que ambos os modelos fracassaram em seus objetivos.

Mendes afirmou que se o próximo governo basear sua política apenas em reformar esse modelo, será uma perda de tempo. Ele defende mudanças mais profundas na estrutura de gastos para garantir a saúde financeira do Brasil.

Segundo o especialista, a dependência de receitas extraordinárias e o crescimento das despesas obrigatórias tornam o sistema frágil. A fala ecoa a desconfiança de parte do setor produtivo sobre a eficácia das regras atuais.

Expectativas para o fechamento das contas em 2026

O governo aumentou recentemente a estimativa de superávit primário para 2026, projetando R$ 4,1 bilhões. No entanto, esse número só é alcançado ao desconsiderar cerca de R$ 64,4 bilhões em exceções previstas na lei.

Sem essas deduções, o resultado esperado para o ano seria um déficit de R$ 60,3 bilhões. Essa diferença entre os números reais e os ajustados gera debates intensos sobre a transparência do arcabouço fiscal no longo prazo.

Atualmente, as despesas discricionárias ocupam apenas 1,85% do PIB, enquanto as obrigatórias consomem 17,71%. Essa rigidez orçamentária limita o espaço para investimentos e mantém a economia em um estado de vigilância constante.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes no link original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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