Na última quinta‑feira, 16 de abril, a Polícia Federal deteve o advogado Daniel Monteiro, apontado como braço direito jurídico do banqueiro Daniel Vorcaro. A prisão ocorreu no contexto de investigações sobre propinas de R$ 74 milhões ao ex‑presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e sobre a falhada tentativa de venda do Banco Master à empresa Fictor.
Documentos obtidos pelo Estadão indicam que Monteiro teria elaborado a minuta do contrato de venda do Master à Fictor em novembro de 2025 e, supostamente, coordenado o repasse de R$ 140 milhões em propinas via transferência de seis imóveis de luxo. A defesa alega que ele atuou apenas de forma técnica e foi surpreendido com a prisão, conforme divulgado pelo Estadão.
Além da operação de propina, a PF aponta que o escritório de Monteiro teria participado de esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa Tirreno e carteiras de crédito consignado fraudulentas repassadas ao BRB. A medida faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça.
Investigação revela papel de Monteiro na negociação do Master
Contrato com a Fictor e a holding Titan
O contrato de venda envolvia uma holding criada pelos sócios da Fictor, a Titan, sediada nas Ilhas Cayman, que também havia vendido precatórios de usinas de açúcar no valor de mais de R$ 500 milhões à Fictor um mês antes da transação. Apesar de Monteiro ter afirmado ao Estadão que “não tem nenhuma informação a respeito” da negociação, o documento cita repetidamente o escritório como ponto de contato para assinatura e comunicação.
Lavagem de dinheiro e cunhado de laranja
A PF afirma que o escritório de Monteiro atuou em operações de lavagem de dinheiro da Tirreno, empresa usada por Vorcaro para adquirir carteiras de crédito consignado supostamente fraudulentas. Segundo a polícia, fundos de investimento geridos pela Reag e empresas de fachada, incluindo o cunhado de Monteiro, foram mobilizados para ocultar a titularidade real dos bens.
Ligação com o Atlético Mineiro e o fundo Galo Forte
Monteiro também teria sido emissário de Vorcaro em negociações envolvendo o Atlético Mineiro. O banqueiro comprou participação na SAF do clube por R$ 300 milhões através do fundo Galo Forte. Após a Operação Carbono Oculto, o clube enviou notificação extrajudicial a Monteiro cobrando explicações, pois o fundo teria cotistas suspeitos de lavagem de dinheiro ligados ao PCC.
Defesa do advogado e próximos passos
A defesa de Daniel Monteiro sustenta que ele sempre atuou de forma estrita e técnica, sem participação em atividades ilícitas. O advogado declara estar à disposição da Justiça e confiante de que os fatos serão integralmente esclarecidos.
A fonte original da matéria é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







