A quebra do Ueno Bank, banco digital com fortes ligações ao presidente Santiago Peña, desencadeou uma tempestade política e econômica sem precedentes no Paraguai, afetando milhões de pessoas.
O cenário de incerteza levou o Banco Central a assumir o controle da instituição nesta semana, enquanto o destino das economias de quase metade da população paraguaia permanece sob forte risco.
A crise financeira e as suspeitas de fraude já resultaram em prisões de executivos e em um pedido formal de destituição do chefe do Executivo, conforme divulgado pelo Estadão.
A queda do Ueno Bank e os reflexos na política paraguaia
O colapso do Ueno Bank, que é o maior emissor de cartões de crédito do país, apresenta semelhanças com o escândalo do Banco Master no Brasil. A instituição paraguaia foi colocada em processo de resolução.
Na última terça-feira, oito executivos foram detidos sob suspeita de fraude financeira, incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o diretor executivo Federico Miguel Vázquez Villasan, agravando a crise.
Como reflexo direto, Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central do Paraguai. Ele ocupava o cargo após ter comandado o próprio Ueno, o que gerou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
Mudanças no comando e a reação de Santiago Peña
O presidente Santiago Peña, que possuía ações do grupo controlador do banco até 2025, nomeou Raúl Vera Bogado para assumir o Banco Central. O anúncio ocorreu em meio a protestos violentos em Assunção.
Em pronunciamento, Peña afirmou estar ciente da preocupação dos cidadãos: “Compreendo a incerteza que uma situação como essa causa e, acima de tudo, sei que por trás de cada poupança estão os esforços de milhares de paraguaios”.
A intervenção oficial tem como meta declarada proteger os depositantes e manter a estabilidade do sistema financeiro, já que o Ueno Bank possui cerca de 3 milhões de clientes em um país de 6,4 milhões de habitantes.
Pedido de impeachment e pressão da oposição
A oposição paraguaia reagiu rapidamente e apresentou um pedido formal de impeachment contra Santiago Peña. O documento cita mau desempenho das funções, conflito de interesses e dúvidas sobre a evolução patrimonial.
Para que o processo avance na Câmara dos Deputados, são necessários 53 votos dos 80 parlamentares. Caso aprovado, o Senado realizará o julgamento que pode resultar na destituição do presidente e do seu vice.
Enquanto a política ferve, o fundo de pensões estatal tenta acalmar os 32 mil aposentados que recebiam pelo banco, prometendo transferi-los para outras instituições e buscando medidas judiciais para recuperar os investimentos.
Incerteza para os correntistas e seguro de depósitos
Clientes em pânico cercaram agências fechadas em busca de informações. Embora o fundo garantidor cubra até 228,3 milhões de guaranis (cerca de US$ 38 mil) por pessoa, o pagamento integral ainda não foi totalmente garantido.
O Banco Central informou que os depositantes devem receber inicialmente até 10 milhões de guaranis, mas não estabeleceu uma data definitiva. Aqueles com saldos superiores enfrentam um futuro incerto e dependem da liquidação dos ativos.
A polícia paraguaia reforçou a segurança em frente à residência oficial da presidência, enquanto a população aguarda o desenrolar das investigações sobre as fraudes bilionárias que abalaram as estruturas do poder no país vizinho.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes na matéria original através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







