O cenário econômico brasileiro exige movimentos rápidos para garantir a estabilidade nos próximos anos. O governo atual enfrenta o desafio de equilibrar as expectativas do mercado e as necessidades da indústria nacional.
André Passos, líder da Associação Brasileira da Indústria Química, aponta que a cooperação política é o único caminho viável. Sem essa articulação, o planejamento orçamentário de longo prazo pode ficar seriamente comprometido.
A proposta central envolve uma aproximação direta entre o Palácio do Planalto e os grandes setores produtivos. A ideia é focar em soluções práticas para a economia, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios para o ajuste das contas públicas e o orçamento de 2027
Para o presidente da Abiquim, André Passos, o governo precisa articular um diálogo político robusto o quanto antes. O foco principal deve ser a implementação do orçamento e a organização das finanças públicas.
“Tem de iniciar a discussão o mais breve possível, nesses dois meses que restam do atual mandato”, afirmou o executivo. Ele acredita que o país perdeu tempo com debates eleitorais que pouco trataram do futuro nacional.
“Não será uma tarefa fácil esse arranjo, embora haja, no momento, macroindicadores estáveis, como nível de emprego, inflação e endividamento inferior ao de muitos países”, ponderou Passos sobre o cenário atual.
Diálogo entre o governo federal e o empresariado nacional
O executivo sugere que seja marcada uma reunião urgente no Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). Esse encontro deve ser liderado pelo presidente Lula e pelo vice, Geraldo Alckmin.
O CNDI é o órgão responsável por formular as diretrizes da política industrial do país. Para Passos, essa proximidade é fundamental para elevar a taxa de investimento, que está estagnada entre 16 por cento e 20 por cento.
Ele compara o desempenho brasileiro com o da China, onde os investimentos chegam a 35 por cento. A ideia é conectar a indústria de base com a alta tecnologia, o agronegócio e o desenvolvimento sustentável para gerar crescimento.
Redução da taxa Selic e foco na política industrial
A indústria química também defende que o Banco Central avalie uma redução imediata na taxa de juros básica. “Há um cenário de inflação que abre espaço para baixar a taxa Selic”, destacou o presidente da Abiquim.
A avaliação é que o foco deve ser a agenda de crescimento econômico. Intensificar a política industrial é o motor necessário para reverter a perda de peso do setor no PIB brasileiro, que caiu para a marca de 11 por cento.
A arrancada econômica de potências globais ocorreu através da indústria forte. Por isso, a entidade reforça que o Brasil precisa de uma estratégia clara para que o setor produtivo volte a ser o protagonista do desenvolvimento.
Reforma tributária e mecanismos de defesa comercial
Sobre a reforma tributária, a preocupação da entidade recai sobre as alíquotas do IBS e da CBS. Projeções indicam que a carga pode superar 28 por cento, superando as estimativas iniciais que variavam de 20 a 25 por cento.
“Não é desejo de pagar menos impostos, mas de se ter uma alíquota de equilíbrio que leve ao aumento da produção e, daí, maior arrecadação de impostos para o governo”, explicou André Passos sobre a necessidade de bom senso.
O setor também monitora a competição com China e Estados Unidos. O desafio envolve enfrentar o tarifaço americano e as práticas de dumping chinesas, exigindo que o Brasil mantenha seus mecanismos de defesa comercial ativos.
A fonte original deste conteúdo é o Estadão e você pode conferir a entrevista na íntegra através do link: Lula precisa articular um grande diálogo para fazer o ajuste fiscal já, diz presidente da Abiquim.






