O mercado imobiliário global vive uma transformação profunda com o avanço de novos modelos de obra. A consciência sobre o impacto ambiental nunca foi tão alta, mas barreiras econômicas ainda travam projetos de maior escala.
Um novo levantamento internacional aponta que o grande dilema de arquitetos e investidores é provar que ser ecológico também é lucrativo. O equilíbrio entre custo e benefício define o futuro das cidades brasileiras hoje.
Entender como as soluções de baixo carbono podem gerar valor real para o consumidor final tornou-se a prioridade número um do setor de infraestrutura, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios e oportunidades das construções sustentáveis no Brasil
A edição 2026 da pesquisa Barômetro da Construção Sustentável, realizada pela empresa Saint-Gobain, revelou que o maior desafio para o setor é demonstrar o retorno sobre o investimento. A conscientização cresceu, mas o dinheiro ainda manda.
O levantamento ouviu 34,8 mil pessoas em 30 países, incluindo profissionais como arquitetos e empreiteiros, além de clientes finais. Na América Latina, 76% dos entrevistados consideram a sustentabilidade uma prioridade absoluta nas obras.
No Brasil, esse índice também é de 76%, superando a Argentina, que registrou 65%. Entretanto, apenas 35% dos profissionais brasileiros acreditam que construções sustentáveis geram mais valor financeiro do que os modelos tradicionais de obra.
A visão do governo e o impacto social
O Ministério das Cidades busca integrar critérios ecológicos em programas como o Minha Casa, Minha Vida. A ideia é que a sustentabilidade não seja apenas para a elite, mas uma ferramenta de inclusão social e resiliência urbana.
Segundo Augusto Rabelo, secretário nacional de Habitação, “a construção sustentável brasileira precisa combinar simultaneamente três agendas: inclusão social, qualidade urbana e descarbonização”, unindo moradia adequada ao desenvolvimento social.
Essa abordagem é compatível com os compromissos brasileiros para a COP-30. O governo federal trabalha em parcerias técnicas para pesquisar soluções de baixo carbono que possam ser aplicadas em larga escala nas cidades do país.
O papel dos bancos e das seguradoras
O estudo reforça que instituições financeiras têm um papel crucial ao utilizar critérios sustentáveis na análise de crédito. Isso obriga o mercado a considerar o fator ambiental como um requisito para conseguir melhores financiamentos.
Entre as ações sugeridas aparecem a melhor precificação dos riscos físicos causados pelo aquecimento global e eventos extremos. Bancos podem oferecer taxas diferenciadas para projetos que comprovem eficiência energética e resiliência climática.
Vinícius Araújo, diretor da Saint-Gobain, afirma que, no Brasil, existe um trabalho forte em normas técnicas, mas o financiamento precisa evoluir. Seguradoras podem criar pacotes de benefícios para quem constrói dentro desses novos padrões.
Benefícios tangíveis para o consumidor final
Para o morador, as construções sustentáveis trazem melhor qualidade de vida. Isso se reflete em iluminação e ventilação naturais, melhor isolamento acústico e temperaturas agradáveis no interior dos imóveis, reduzindo gastos com energia.
Manuel Martins, da Fundação Vanzolini, destaca que a resiliência climática se tornou um impulsionador, indo além da eficiência. Enfrentar extremos de calor, chuvas e secas é agora uma necessidade básica para a preservação do valor do imóvel.
Tornar esses benefícios visíveis e transparentes é a principal sugestão dos especialistas para popularizar o conceito. Quando o comprador percebe a economia no dia a dia, a resistência ao custo inicial da obra tende a diminuir drasticamente.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir o conteúdo completo no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







