No aeroporto de Assunção, a rotina de quem viaja com frequência mudou drasticamente. Blanca, uma moradora local, percebeu que o saguão de desembarque agora vive lotado de novos rostos em busca de futuro.
No último ano, o país vizinho registrou 47,6 mil pedidos de residência, um salto impressionante de 63%. O movimento reflete uma busca inédita por chances de trabalho e novos investimentos em território paraguaio.
Essa transformação é fruto de anos de estabilidade econômica e políticas fiscais rigorosas que finalmente colocaram o país no radar dos grandes investidores globais, conforme divulgado pelo Estadão.
Por que brasileiros estão escolhendo migrar para o Paraguai e abrir negócios?
A fama de solidez do Paraguai não surgiu por acaso. Após uma crise em 2003, o país adotou o fortalecimento do banco central e o controle rígido da inflação como pilares de sua gestão macroeconômica atual.
Recentemente, agências de risco concederam ao país o grau de investimento, um selo de confiança que apenas seis países latino-americanos possuem, consolidando o Paraguai como um porto seguro para o capital estrangeiro.
O presidente Santiago Peña tem trabalhado para transformar a nação em um polo industrial exportador. O governo foca na desburocratização e na expansão de incentivos para atrair fábricas brasileiras e argentinas.
O impacto do regime de maquila na economia
Um dos maiores atrativos para quem decide migrar para o Paraguai é o chamado regime de maquila. Esse modelo permite que empresas importem insumos sem impostos e paguem apenas 1% sobre o valor agregado.
Graças a essa política, as exportações de autopeças e têxteis cresceram 25% desde 2019. O resultado foi um crescimento econômico de 6,6%, impulsionando o sonho paraguaio de se tornar uma potência regional.
Para Blanca, a mudança é visível no dia a dia do aeroporto. Segundo ela, “as pessoas não costumavam vir para o Paraguai em busca de oportunidades. Agora elas vêm”, observa sobre o novo fluxo migratório.
Diferenças tributárias atraem empresas vizinhas
Fabricantes do Brasil e da Argentina, cansados da alta carga tributária e de regras trabalhistas rígidas, estão transferindo suas linhas de produção para o outro lado da fronteira para ganhar competitividade.
O acesso livre de tarifas ao mercado do Mercosul, que abrange mais de 260 milhões de pessoas, é um diferencial estratégico. O baixo custo operacional torna os produtos paraguaios extremamente competitivos no exterior.
Enquanto a arrecadação de impostos no Paraguai representa apenas 16% do PIB, no restante da América Latina esse índice chega a 22%. Essa folga tributária é o que mais atrai novos empreendedores ao país.
Obstáculos na infraestrutura e na educação
Apesar do otimismo, o Paraguai ainda enfrenta gargalos históricos. Apenas 16% das estradas são pavimentadas, o que eleva os custos logísticos e dificulta o transporte rodoviário de mercadorias para os portos.
A educação também é um ponto de atenção para sustentar o crescimento. O investimento público no setor é de apenas 3,5% do PIB, um dos menores da região, refletindo o baixo desempenho em testes internacionais.
Para José Manuel Salazar-Xirinachs, da CEPAL, o país precisa de uma força de trabalho mais qualificada para evoluir. Sem educação de qualidade, o crescimento pode ficar limitado a produtos de baixo valor agregado.
Desafios institucionais e combate à corrupção
O Banco Interamericano de Desenvolvimento estima que serão necessários 10 bilhões de dólares para modernizar aeroportos e redes elétricas. No entanto, a baixa arrecadação limita os investimentos públicos diretos.
Atrair investidores privados para obras de infraestrutura esbarra na questão da transparência. O Paraguai ocupa a 150ª posição no Índice de Percepção da Corrupção, um desafio que exige reformas profundas no Estado.
Eliminar a cultura de propinas e fortalecer as instituições é o próximo passo necessário. Só assim o país poderá garantir que a onda de investimentos e novos moradores se transforme em desenvolvimento sustentável.
A fonte original desta notícia é o portal Estadão, e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






