A percepção sobre o papel das grandes corporações mudou drasticamente nas últimas décadas. O que antes era visto como um obstáculo ao progresso, hoje é o motor central para a nova economia verde global.
Entender essa virada de chave é essencial para compreender quem irá liderar os mercados mundiais no futuro. A transição energética e a responsabilidade social deixaram de ser opcionais para os negócios.
O caminho percorrido desde a década de 70 revela uma transformação profunda na mentalidade de governos e investidores, conforme divulgado pelo Estadão.
A evolução do papel das empresas diante da crise climática
Há pouco mais de cinco décadas, o Brasil defendia, em uma conferência da ONU, o direito de poluir como condição para o desenvolvimento. Naquela época, o crescimento econômico e a proteção ambiental pareciam objetivos incompatíveis.
A Conferência de Estocolmo, em 1972, foi o marco inicial dessa jornada. Ali começou uma transformação que mudaria profundamente a forma como governos, empresas e investidores enxergam o desenvolvimento e a crise climática.
Quinze anos depois, o relatório Nosso Futuro Comum trouxe o conceito de desenvolvimento sustentável. A ideia central era simples: crescimento econômico, proteção ambiental e inclusão social devem caminhar sempre juntos.
Do direito de poluir ao conceito de sustentabilidade
Essa nova visão preparou o terreno para a Rio-92, que colocou a sustentabilidade no centro da agenda internacional. Foi a partir deste evento que nasceram as convenções da ONU sobre Clima e Biodiversidade, as famosas COPs.
Curiosamente, na primeira COP do Clima, em 1995, representantes do setor privado chegaram a ser vaiados. A lógica predominante daquele período era direta, ou seja, quem produzia era visto apenas como o poluidor do planeta.
Porém, o próprio setor empresarial começou a se organizar para mudar essa história. Em 1997, nasceu o CEBDS no Brasil, conectando empresas brasileiras a uma mobilização internacional para incorporar o clima nas estratégias de negócio.
O surgimento do ESG e o risco financeiro
Outra mudança crucial aconteceu no mercado financeiro em 2004, quando a sigla ESG foi disseminada. O relatório Who Cares Wins ajudou a consolidar a ideia de que riscos ambientais e sociais também representam riscos financeiros.
O que começou com cerca de 100 instituições participantes, hoje envolve mais de 5 mil, responsáveis por trilhões em ativos. Esse movimento provou que cuidar do planeta é, antes de tudo, uma decisão econômica inteligente e estratégica.
Ao entender que a crise climática influencia a alocação de capital, grandes gestoras de investimentos mudaram suas regras. A sustentabilidade passou a ser o núcleo central para quem deseja atrair novos aportes e crescer.
Acordo de Paris e a nova era das finanças
O Acordo de Paris, firmado em 2015, abriu um capítulo decisivo ao reconhecer que governos sozinhos não resolveriam o problema. Empresas e cidades passaram a ter um lugar explícito na agenda global de ação contra o aquecimento.
Em 2020, Larry Fink, CEO da BlackRock, afirmou que o risco climático é, fundamentalmente, um risco de investimento. Essa declaração deu visibilidade máxima para algo que vinha sendo construído discretamente há muitos anos no mercado.
Agora, a fase atual não é apenas sobre definir metas, mas sobre implementar soluções em alta velocidade. O desafio é transformar os compromissos em resultados práticos que possam ser medidos por toda a sociedade e investidores.
Desafios atuais e a liderança na economia verde
Embora a temperatura global tenha aumentado e a perda de biodiversidade avance, as políticas atuais evitaram um cenário pior. Antes de Paris, as projeções indicavam um aquecimento de até 4°C, número que foi reduzido com o esforço global.
Proteger o clima e a natureza não significa abrir mão do crescimento econômico. Pelo contrário, significa preservar as condições para produzir alimentos, gerar energia e manter as cidades brasileiras habitáveis e prósperas no futuro.
Quem conseguir avançar mais rápido na descarbonização estará em melhor posição para liderar a economia nas próximas décadas. A corrida agora é por tecnologia, mercados sustentáveis e investimentos que garantam a competitividade do país.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







