A Portobello, uma das maiores fabricantes de revestimentos cerâmicos do país, iniciou um movimento estratégico para aliviar sua estrutura financeira. O foco principal é a renegociação de dívidas com grandes bancos.

A companhia busca prazos mais longos e, principalmente, a redução nas taxas de juros. Atualmente, os custos financeiros elevados estão consumindo o lucro operacional e levando os resultados trimestrais para o campo negativo.

Além do diálogo com as instituições financeiras, a empresa não descarta uma injeção direta de capital por parte de seus acionistas controladores, conforme divulgado pelo Estadão.

Por que a Portobello renegocia dívida com bancos e avalia capitalização?

A Portobello tem dívida líquida de R$ 1,17 bilhão, o que representa uma alavancagem de 3,47 vezes, conforme dados do balanço mais recente. O pagamento de juros custou R$ 176,6 milhões no primeiro semestre.

O cronograma de pagamentos também está apertado. A companhia tinha, em junho, R$ 213 milhões em caixa para fazer frente a vencimentos de R$ 101 milhões neste semestre, com desafios maiores em 2027 e 2028.

Operação lucrativa com despesa financeira alta

“O lado operacional funcionou bem até aqui, mas temos um problema na estrutura de capital, com a despesa financeira bastante alta. Estamos endereçando com parceiros bancários para reperfilar essa dívida”, disse Ronei Gomes.

O vice-presidente de finanças explicou que o objetivo não é apenas alongar prazos, mas tentar reduzir o custo. Sem essa solução, a melhoria nas operações não será traduzida em lucro líquido para a Portobello.

Estratégia de venda de ativos e liquidez

Para tentar aliviar as contas, a Portobello vendeu em agosto a marca Pointer para o Grupo Almeida. Os recursos serão usados para reduzir a dívida, melhorar o capital de giro e garantir mais liquidez ao grupo.

A Pointer respondia por 9% do faturamento, mas tinha margens baixas. Agora, o grupo foca nos parques industriais de Santa Catarina e dos Estados Unidos, além de sua rede de lojas próprias e franquias.

Cenário desafiador para a indústria cerâmica

A indústria de pisos e porcelanatos sofre com a queda nas vendas no Brasil. O volume total do setor caiu 20% nos últimos quatro anos, impactado pelos juros altos e tarifas de exportação para o mercado americano.

Sergio Wuaden, da Anfacer, destaca que o cenário é muito desafiador. Fundada em 1979, a Portobello é listada na bolsa e mantém a maior parte de suas ações concentrada em famílias tradicionais do setor cerâmico.

Possibilidade de novo aporte dos sócios

Questionado sobre um possível investimento dos controladores, Ronei Gomes afirmou que todas as opções estão na mesa. Segundo ele, as capitalizações por parte dos acionistas são realmente possíveis no caminho.

Enquanto a renegociação avança, a empresa foca em manter a saúde operacional, que gerou R$ 80 milhões de Ebit no semestre, apesar do prejuízo líquido final causado pelo peso dos juros acumulados no período.

A fonte original é o Estadão.

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