O primeiro turno das eleições de 2026 trouxe uma sinalização clara sobre o descontentamento de parte da população com o cenário atual, mas deixou uma lacuna preocupante no debate público nacional.
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, analisou o momento político e econômico brasileiro. Ele demonstrou ceticismo quanto ao que os candidatos finalistas pretendem fazer.
Para o especialista, o eleitor brasileiro foi às urnas sem uma base sólida de informações sobre o futuro das contas públicas e o destino do país, conforme divulgado pelo Estadão.
Meirelles avalia as agendas econômicas de Lula e Flávio Bolsonaro
Segundo Henrique Meirelles, as agendas econômicas de Lula e Flávio Bolsonaro são consideradas, no momento, muito fracas. Ele afirma que é difícil concluir o que cada um fará de fato após a posse.
Em suas palavras, é difícil dizer porque a agenda econômica divulgada dos dois candidatos é muito fraca. Não dá muito para se chegar à conclusão do que, de fato, cada um deles vai fazer, explicou o economista.
O ex-ministro destaca que o brasileiro votou sem conhecer as propostas reais. Para ele, o foco deveria ser um ajuste fiscal rigoroso, algo que ainda não foi detalhado de forma transparente por nenhuma das campanhas.
A urgência do ajuste fiscal e do teto de gastos
Meirelles defende que a prioridade número um do próximo governo deve ser o controle de gastos. Ele cita a necessidade de retomar o teto de gastos para garantir a confiança e atrair novos investimentos.
O especialista destaca que, embora a equipe de Flávio Bolsonaro pareça ter mais aderência a essa pauta, nada foi testado na campanha. Nenhum dos dois apresentou claramente esse programa, alertou o colunista.
Ele relembra que, em sua gestão na Fazenda, a aprovação do teto permitiu que a inflação caísse e os juros fossem reduzidos. Para ele, o caminho para o crescimento passa obrigatoriamente pelo controle fiscal rígido.
Baixa produtividade e desafios na educação
Outro ponto crítico levantado por Meirelles é a queda da produtividade brasileira. Na década de 70, o trabalhador produzia metade de um americano, hoje esse valor caiu para menos de um quarto, um dado alarmante.
Para ele, a solução passa por reformar a educação e expandir o ensino técnico. Ele critica a aprovação automática e sugere que o desempenho escolar deve ser o critério real para o progresso dos estudantes no país.
O governo precisaria expandir o Sistema S como um programa nacional. Além disso, reduzir a burocracia para abrir empresas e pagar impostos é essencial para que o Brasil consiga competir globalmente.
O mercado e a guinada política à direita
O resultado das urnas, com Flávio Bolsonaro à frente, foi visto pelo mercado como uma reação ao lulapetismo. Meirelles nota que esse movimento de direita é um fenômeno global, visto na Argentina e na Europa.
O mercado financeiro reagiu com alta na Bolsa e queda no dólar, refletindo a esperança por medidas econômicas diferentes. Meirelles reforça que o mercado envolve desde grandes bancos até pequenas padarias no interior.
O Brasil precisa de reformas administrativa e tributária bem feitas para eliminar a complexidade. Em última análise, o país precisa de um governo com foco no resultado, eliminando o que não funciona e mantendo o que dá certo.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e o conteúdo pode ser lido na íntegra em: https://www.estadao.com.br/economia/as-agendas-economicas-de-lula-e-de-flavio-bolsonaro-sao-muito-fracas-diz-meirelles/





