O ambiente corporativo brasileiro vive hoje um grande paradoxo. Embora quase todas as empresas possuam canais de denúncia, muitas não conseguem concluir as apurações por falta de dinheiro.
Essa falha na estrutura de integridade coloca em risco a confiança dos colaboradores e a segurança jurídica do negócio, criando uma falsa sensação de compliance perante o mercado nacional e global.
O diagnóstico faz parte de um estudo inédito que aponta as principais lacunas na governança de riscos e as dificuldades das instituições, conforme divulgado pelo Estadão.
Os desafios da governança e a falta de investimento para investigar fraudes
De acordo com o levantamento, 96,6% das empresas possuem códigos de conduta. No entanto, 51,7% delas operam com orçamento insuficiente para investigar fraudes de maneira técnica e profunda.
A diretora Daniela Aggio explica que estruturar canais de denúncia é barato e serve como vitrine. Já a apuração exige equipe especializada, consultorias externas e treinamento constante, o que custa caro.
Na prática, a empresa cria a porta de entrada para a denúncia, mas não dispõe da estrutura proporcional para tratá-la, o que gera impunidade e queda na confiança dos funcionários no sistema.
A carência de treinamento técnico para equipes de apuração
Outra lacuna crítica identificada diz respeito à capacitação. Cerca de 76,7% das organizações não possuem um programa estruturado de treinamento técnico para quem deve investigar fraudes internas.
Muitos profissionais aprendem a conduzir investigações na prática, sem formação específica. Isso aumenta o risco de erros na coleta de evidências e falhas na condução de entrevistas com os suspeitos.
Para Aggio, as consequências afetam toda a cadeia, gerando conclusões frágeis que podem ser contestadas judicialmente, expondo a companhia a passivos trabalhistas e danos severos à sua reputação.
Riscos jurídicos e a importância de boas práticas de integridade
Quando o financiamento é esporádico, a organização perde a curva de aprendizado e não atualiza suas ferramentas. Isso a torna dependente de soluções emergenciais, que costumam ser muito mais caras.
A recomendação técnica é dimensionar o orçamento a partir de uma avaliação de risco. Devem ser considerados o porte, o setor, a complexidade operacional e o histórico de casos da organização.
Além de sanar o orçamento, é vital adotar uma governança multidisciplinar. Isso preserva a independência de quem apura em relação ao investigado, garantindo um processo justo e transparente para todos.
Medidas para fortalecer o canal de denúncias nas empresas
Especialistas aconselham capacitar a liderança para o acolhimento das denúncias. Também é fundamental garantir sigilo absoluto e proteção formal ao denunciante, monitorando qualquer tipo de retaliação.
Adotar canais externos para casos que envolvam pessoas do alto escalão ajuda a eliminar conflitos de interesse. O julgamento colegiado em situações sensíveis também traz mais segurança para a decisão final.
Manter uma trilha de auditoria e documentação rigorosa de todo o processo é o que permite transparência. Isso evita que a empresa seja surpreendida por revisões judiciais ou falhas de conformidade.
A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e você pode ler a matéria completa no link: https://www.estadao.com.br/economia/governanca/empresas-orcamento-investigar-desvios-conduta-pesquisa/





