O presidente Lula se mostrou bastante à vontade durante um jantar com mais de 700 empresários em São Paulo. Entre piadas e histórias, ele relembrou a trajetória do governo ao lado de sua equipe ministerial.
No entanto, por trás do clima descontraído, havia uma camada de frustração entre os presentes. Muitos esperavam sinais concretos de austeridade fiscal e reformas que acabaram não acontecendo.
O evento, que se estendeu até tarde da noite, foi marcado pela saída de nomes importantes antes mesmo do discurso final do presidente, conforme divulgado pelo Estadão.
Expectativa frustrada e tom de campanha no jantar
Embora o ambiente estivesse leve para o presidente, parte da plateia saiu decepcionada. O encontro, que deveria focar em soluções econômicas, foi visto por muitos como um evento de prestação de contas com tom eleitoral.
Empresários de peso, como Milton Maluhy, do Itaú, deixaram o local antes que Lula começasse a falar. O atraso de quase duas horas para o início dos discursos oficiais também contribuiu para o esvaziamento do interesse.
A falta de medidas de corte de gastos
O mercado financeiro aguardava anúncios sobre o corte de despesas públicas. Em vez disso, ouviu discursos focados em realizações passadas, o que gerou críticas de quem esperava um olhar voltado para o futuro da economia.
Christopher Garman, do Eurasia Group, notou um esforço da equipe em fazer acenos fiscais, mas destacou a falta de credibilidade. Segundo ele, os discursos foram mais construtivos, mas não convenceram sobre uma reforma profunda.
“Os discursos foram mais construtivos do que o presidente tem dito anteriormente”, afirma Garman. Ele ponderou que, apesar das falas de ministros sobre controle de gastos, o mercado ainda duvida da execução dessas promessas.
O conselho de Dona Lindu e o teto de gastos
Durante sua fala, Lula recorreu ao lado pessoal para falar de economia. Ele mencionou que sua mãe, Dona Lindu, o ensinou a nunca gastar mais do que ganha, uma tentativa de acalmar os ânimos sobre o endividamento público.
Ministros como Geraldo Alckmin e Dario Durigan reforçaram a tese, afirmando que os gastos não podem ultrapassar o crescimento do PIB. Contudo, as falas foram recebidas com ceticismo pelos representantes do setor produtivo.
Críticas do setor imobiliário e industrial
Basilio Jafet, vice-presidente do Secovi-SP, resumiu o sentimento de parte do setor imobiliário e industrial. Para ele, o governo focou em defender medidas de arrecadação que aumentaram os impostos sobre as empresas.
“O evento foi bom, no sentido de entender o que o governo está pensando, mas sentimos que o tema do ajuste fiscal não tenha sido levado com a profundidade que merece”, afirmou Jafet, reforçando a insatisfação geral.
Mercadante assume tom mais técnico
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, foi apontado como o orador mais pertinente. Ele quebrou o protocolo ao saudar economistas e investidores, focando na necessidade de desendividamento de todos os entes públicos brasileiros.
Mercadante lembrou períodos de superávit das gestões passadas de Lula para tentar resgatar a confiança. “Todos querem se desendividar e o presidente, mais do que ninguém, também quer”, declarou o chefe da instituição financeira.
A fonte original desta notícia é o Estadão, que pode ser lido na íntegra através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







