A situação política na América Latina ganha um novo capítulo com a movimentação dos Estados Unidos sobre as riquezas energéticas venezuelanas. O anúncio de Donald Trump gerou reações imediatas de especialistas globais.
O foco está no controle de bilhões de barris de petróleo, uma medida que promete mexer com a economia global e com as relações diplomáticas no continente. A estratégia divide opiniões sobre sua eficácia e real intenção.
A análise crítica ganha peso com as declarações de um dos maiores economistas do mundo, que vê perigos na abordagem adotada pela Casa Branca, conforme divulgado pelo Estadão.
A polêmica do petróleo da Venezuela e o alerta de Paul Krugman
Imperialismo extrativista no século 21
O vencedor do Nobel de Economia, Paul Krugman, não poupou críticas ao acordo anunciado pelo presidente Donald Trump. Para ele, a tentativa de ampliar o controle americano sobre as reservas de petróleo da Venezuela remete ao passado.
Krugman classifica a ação como uma tentativa de apropriação de recursos nos moldes do “imperialismo extrativista” do século 19. Segundo o especialista, a medida terá benefícios econômicos praticamente nulos para os Estados Unidos.
Em sua análise, ele destaca que a iniciativa “validou tudo o que a esquerda latino-americana já disse sobre o imperialismo dos EUA”, o que pode gerar custos estratégicos e diplomáticos por muitas décadas na região.
Números questionados e impacto econômico
Donald Trump afirmou recentemente que Washington obteve o “controle majoritário” de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas. Ele acredita que a parceria com empresas privadas dobrará as reservas americanas.
A promessa de Trump é que a operação reduza substancialmente os preços dos combustíveis. No entanto, Krugman contesta esses cálculos. Ele estima que o valor econômico máximo seria de cerca de US$ 1,3 trilhão, diluído em anos.
Esse montante, embora pareça alto, seria pequeno diante da riqueza total dos EUA, estimada em US$ 167 trilhões. Para o Nobel, o ganho não justifica os riscos políticos assumidos com o petróleo da Venezuela e sua extração.
Desafios logísticos e infraestrutura
A viabilidade do plano também está sob forte suspeita. Recuperar a infraestrutura petrolífera da Venezuela exigiria investimentos de dezenas de bilhões de dólares, além de um tempo que pode levar décadas para se concretizar.
Parte das reservas, especialmente na Bacia do Orinoco, é de extração difícil e cara. Krugman ainda alerta para o risco de futuros governos venezuelanos não aceitarem os termos ou simplesmente expropriarem os investimentos americanos.
No curto prazo, a expectativa de alívio nos preços da gasolina é baixa. Qualquer aumento relevante na produção levaria muito tempo para chegar às bombas, invalidando o discurso de impacto imediato na economia doméstica atual.
Mudanças profundas na América Latina
Além da questão energética, a crise na região é complexa. O êxodo de milhões de pessoas mudou a demografia e colocou temas como imigração e segurança no centro do debate político latino-americano nos últimos anos.
A falência econômica do país vizinho forçou uma reorganização de prioridades em todo o continente. A rejeição aos estrangeiros e a instabilidade política tornaram-se desafios constantes para os governantes de diversos países.
Enquanto o governo dos EUA discute formas de reduzir os preços dos combustíveis em reuniões com refinarias, o cenário na Venezuela permanece como um dos maiores enigmas geopolíticos da atualidade, unindo economia e poder.
A fonte original é a Estadão.





