O mercado global de fusões e aquisições atingiu a marca histórica de US$ 3,2 trilhões no primeiro semestre de 2026. Esse movimento mostra a força do setor corporativo em um ano de transformações intensas.
A inteligência artificial surge como o grande motor dessa expansão, obrigando empresas a buscarem novas competências e infraestrutura para não ficarem para trás na corrida tecnológica mundial.
Além do software, a demanda por energia e centros de dados tem redesenhado as estratégias das grandes companhias ao redor do planeta, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto da inteligência artificial no mercado de fusões e aquisições
Segundo Rafael Munoz, diretor de M&A do J.P. Morgan para a América Latina, o mercado tem recompensado a escala. As empresas buscam competências que não conseguiriam desenvolver sozinhas, superando a volatilidade.
A inteligência artificial impulsiona transações no setor de infraestrutura, como a compra de geradoras de energia e data centers. O objetivo é suprir a enorme demanda energética exigida pelo processamento de dados.
Um exemplo claro foi a união entre NextEra Energy e Dominion Energy, avaliada em US$ 67 bilhões. A operação criou a maior companhia de energia elétrica regulada do mundo, visando atender ao aumento do consumo da IA.
Megatransações dominam o cenário global
O primeiro semestre de 2026 registrou 48 transações superiores a US$ 10 bilhões, totalizando US$ 1,3 trilhão apenas nessas megatransações. O ambiente regulatório mais favorável na América do Norte ajudou esses números.
Entre os destaques estão a aquisição da Anysphere pela SpaceX por US$ 60 bilhões e a fusão da McCormick com a divisão de alimentos da Unilever, um negócio bilionário que movimentou cerca de US$ 44,8 bilhões.
Segurança nacional e a busca por autossuficiência
O setor de defesa e a resiliência econômica passaram a orientar a alocação de capital. Governos e empresas evitam depender totalmente de cadeias de suprimentos globais vulneráveis a interrupções rápidas.
A busca por recursos naturais estratégicos, como minerais críticos para semicondutores, também motiva o mercado financeiro. A IA está ligada à segurança nacional, estimulando transações em tecnologias correlatas.
No Brasil, a mineradora Serra Verde foi adquirida pela americana USA Rare Earth por US$ 1,55 bilhão. A operação contou com financiamento do Departamento de Guerra dos EUA, reforçando o peso geopolítico dos minerais.
Brasil se consolida como líder na América Latina
Na América Latina, as fusões e aquisições cresceram 40%, chegando a US$ 70 bilhões. O Brasil é o motor regional, representando 47% desse volume e concentrando 13 negócios acima de US$ 1 bilhão.
Marcelo Gayani, CEO do J.P. Morgan no Brasil, explica que as startups têm recorrido ao M&A para captar recursos enquanto o mercado de IPO segue fechado. O país atrai investidores pela abundância de energia limpa.
O setor de saúde também se destacou com a criação da BradSaúde, fruto de um negócio de R$ 16,1 bilhões entre Bradesco e Odontoprev. O movimento foca em escala e proteção de valor em um mercado competitivo.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.




