O envelhecimento acelerado da população brasileira está transformando radicalmente o setor imobiliário, que agora foca nos mais de 32 milhões de cidadãos com 60 anos ou mais em busca de segurança.
Surgem empreendimentos milionários que oferecem muito mais que moradia, incluindo enfermagem 24 horas, suporte psicológico e atividades de lazer para combater a solidão na terceira idade com alto padrão.
Essa nova tendência, conhecida mundialmente como senior living, redefine o conceito de morar bem com mensalidades que podem ultrapassar os R$ 18 mil, conforme divulgado pelo Estadão.
O novo mercado de condomínios senior living no Brasil
Projetos como o Magno Três Figueiras, em Porto Alegre, exemplificam o vigor deste setor. Com 101 moradores, o local só aceita pessoas acima de 60 anos e foca em combater o isolamento social severo.
A aposentada Elzy Mazoni, de 90 anos, encontrou no modelo a solução para a solidão. “Fiquei viúva há sete anos e morava sozinha. Sou uma pessoa bem lúcida, mas à noite eu sentia uma certa solidão”, relata.
Para Mazoni, a convivência em um prédio adaptado é a melhor escolha atual. “Aqui, fiz muitas amizades. É melhor viver assim do que morar na casa do filho, tirando a liberdade do casal”, afirma a moradora.
Serviços de saúde e lazer de alto padrão
Além da moradia privativa, os prédios oferecem supervisão de enfermagem, fisioterapia, spas e avaliações periódicas. O objetivo é promover o pertencimento e a criação de comunidades ativas entre os residentes.
O conceito busca inspiração internacional para manter os idosos engajados. Segundo Luciano Zuffo, médico e gestor, o ponto primordial é dar voz aos idosos para que criem suas próprias iniciativas e rotinas.
“O objetivo é fazer com que os idosos fiquem menos tempo dentro do próprio quarto. Mesmo em um residencial moderno, se o idoso passar o dia isolado, o problema do isolamento continua”, explica Zuffo.
Expansão para São Paulo e grandes investimentos
Incorporadoras como a Tecnisa e a Vitacon já planejam edifícios de luxo em bairros nobres de São Paulo, como Higienópolis e Jardins, com unidades que chegam a custar até R$ 4 milhões no mercado paulista.
O empreendimento Naara Higienópolis, por exemplo, terá 26 andares e serviços de hotelaria integrados. O projeto prevê cuidadores e motoristas compartilhados, além de hidroginástica e aulas de yoga para os moradores.
A Vitacon, em parceria com a Housi, terá curadoria técnica do Hospital Israelita Albert Einstein. Ariel Frankel, CEO da empresa, acredita que a busca por estruturas completas crescerá muito nos próximos anos.
Os riscos do silver washing e a exclusividade
Especialistas alertam para o silver washing, que é usar o marketing da longevidade sem oferecer adaptações reais. Projetar para idosos exige pensar em toda a experiência sensorial e imersiva do usuário final.
Para Norton Mello, da Bioeng Projetos, não basta incluir barras de apoio e portas largas. É necessário criar ambientes que estimulem o idoso e combatam a fragilidade física e mental de forma proativa.
Por envolver altos custos de operação e saúde, o modelo ainda é restrito às classes alta renda. O desafio agora é encontrar soluções para viabilizar esse tipo de moradia assistida para a população brasileira geral.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | Mercado imobiliário cria prédios para atender população idosa.







