A percepção econômica dos brasileiros tem passado por mudanças drásticas nos últimos meses, especialmente entre as camadas mais vulneráveis da população que dependem de auxílios e programas sociais.

Dados recentes mostram um recuo significativo no otimismo de quem ganha menos, o que levanta discussões sobre a eficácia de longo prazo das medidas econômicas adotadas recentemente no país.

O cenário reflete uma inversão de expectativas que pode impactar diretamente o consumo e o ambiente político nacional, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto da queda na confiança do consumidor

Segundo o índice de confiança do FGV-IBRE, a percepção de quem recebe até R$ 2.100 caiu de 90,3 em junho para 78,4 em agosto. Este é o nível mais baixo entre todas as faixas de renda analisadas.

O fim do efeito das políticas de incentivo

A pesquisadora Anna Carolina Gouveia explica que a valorização do salário mínimo e o programa Desenrola 2 ajudaram no início do ano, mas esse fôlego parece ter chegado ao fim agora.

“Mas desde o mês passado parece haver um esgotamento do efeito dessas políticas, e esse consumidor está mais pessimista sobre a economia”, afirma a economista responsável pela área no IBRE.

Endividamento e alta nos preços de alimentos

Além da perda de tração dos incentivos, o alto nível de endividamento e a inadimplência são apontados como vilões que corroem a confiança das famílias brasileiras mais pobres neste momento.

Existe ainda o medo da inflação de alimentos, potencializada por fatores climáticos e pela alta dos combustíveis, o que gera insegurança sobre a situação financeira atual e o poder de compra futuro.

Retração atinge também as classes mais altas

Embora o impacto seja maior na base da pirâmide, a queda da confiança do consumidor é generalizada. O índice total caiu de 89,1 em abril para 84,7 em agosto, afetando diversas faixas salariais.

Nas faixas de renda superiores, observa-se uma redução nas intenções de compra de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, devido aos juros elevados e ao crédito que permanece caro para o bolso.

A fonte original desta notícia é o Estadão.

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