A tensão diplomática e comercial entre o Canadá e os Estados Unidos atingiu um novo patamar de hostilidade. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, disparou críticas severas contra as recentes políticas do presidente Donald Trump.
Ford sugeriu que a postura protecionista americana desonra o legado de líderes republicanos do passado. O político canadense alertou que o país está pronto para tomar medidas drásticas para proteger sua economia e soberania nacional.
O líder regional afirmou que os canadenses estão unidos para enfrentar as dificuldades financeiras impostas pelas novas tarifas, conforme divulgado pelo Estadão.
A escalada da **guerra econômica entre Canadá e Estados Unidos** e as ameaças de Ontário
Durante uma entrevista à Associated Press, Doug Ford declarou que Ronald Reagan estaria “vomitando” ao observar as atuais políticas comerciais de Trump. O premie destacou que Reagan era um defensor ferrenho do livre comércio entre as nações.
Ford observou que Trump mantém um retrato de Reagan perto de sua mesa, mas age de forma contrária aos princípios do antigo presidente. “Ele estaria ‘vomitando’ na cara dele só de olhar para a foto, se soubesse o que está acontecendo”, afirmou o político.
A crítica ocorre em um momento de ruptura, após o governo canadense abandonar negociações comerciais por considerar as exigências de Washington abusivas. O impasse gerou tarifas de 50% sobre diversos produtos, intensificando a guerra econômica entre Canadá e Estados Unidos.
Corte de eletricidade e minerais estratégicos
Ford ameaçou usar recursos vitais como moeda de troca, afirmando que “tudo está em cima da mesa”. Ele mencionou a possibilidade de interromper o fornecimento de eletricidade e minerais essenciais produzidos em Ontário para o mercado americano.
Esses minerais são fundamentais para a segurança nacional dos EUA, sendo usados na fabricação de aeronaves militares, mísseis e eletrônicos. “Vou cortar o fornecimento deles”, disparou Ford, citando especificamente o níquel e o urânio refinado.
Além da mineração, a exportação de energia elétrica para estados como Michigan e Nova York pode ser suspensa. Ford lembrou que Ontário fornece energia para cerca de 1,5 milhão de residências e empresas nos Estados Unidos, o que seria um golpe severo.
O setor automotivo como campo de batalha
A indústria de veículos é o coração econômico de Ontário e está sob ameaça direta de novas tarifas de 50%. Ford acusou Trump de tentar transformar o Canadá em um “estado vassalo” ao buscar transferir a produção fabril para o sul.
Montadoras gigantes como Ford, General Motors e Stellantis operam grandes plantas no Canadá que dependem de uma cadeia de suprimentos integrada. A interrupção desse fluxo pode desestabilizar o mercado de automóveis em todo o continente norte-americano.
O representante comercial americano alega que a produção canadense só existe devido a acordos históricos de acesso ao mercado. Ford rebateu, afirmando que os canadenses não aceitarão passivamente a destruição de sua base industrial e deixarão de comprar carros dos EUA.
Soberania nacional e o fim das negociações
O premie revelou que se opôs a um acordo preliminar que exigia a volta de bebidas alcoólicas americanas às prateleiras de Ontário. Para ele, ceder a esse tipo de pressão seria uma afronta à autonomia da província e do país.
Ford criticou a tentativa de Washington de restringir a capacidade do Canadá de negociar com outras nações sem aprovação prévia dos EUA. “Quem ele pensa que é?”, questionou o líder canadense, reforçando que a soberania não está à venda.
Mesmo com a retórica agressiva, Ford defendeu que o diálogo ainda é o melhor caminho, mas alertou que o Canadá não recuará. A guerra econômica entre Canadá e Estados Unidos segue sem previsão de trégua, impactando mercados globais e relações diplomáticas.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | Premie de Ontário diz que Canadá deve cortar oferta de eletricidade e minérios críticos aos EUA.






