Vício em redes sociais: Ex-diretor afirma que ferramentas de segurança foram feitas para falhar
O julgamento que pode mudar o futuro das redes sociais ganhou um capítulo dramático nos Estados Unidos. Um ex-diretor da Meta trouxe à tona revelações perturbadoras sobre como a empresa lida com os jovens.
Segundo o depoimento, recursos criados para proteger crianças e adolescentes no Facebook e Instagram podem ter sido planejados para não funcionar como deveriam. O objetivo seria manter o engajamento e os lucros em alta.
A acusação faz parte de um processo movido por vários estados americanos, que buscam punições severas contra a gigante da tecnologia, conforme divulgado pelo Estadão.
Ferramentas projetadas para o fracasso
Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia da Meta, afirmou que funções como o “Faça uma pausa” do Instagram foram projetadas para falhar. Ele é a primeira testemunha a depor no caso contra a gigante.
O engenheiro argumenta que a empresa prioriza o lucro sobre a segurança de menores. Segundo ele, as notificações são feitas para atrair o usuário de volta, sem foco na saúde mental ou segurança das pessoas.
“Na minha experiência, o ‘Faça uma pausa’ é uma funcionalidade projetada para falhar”, declarou Bejar. Ele afirma que tornar esses recursos opcionais é uma estratégia para não prejudicar o tempo gasto nas redes.
Um processo bilionário e histórico
A Meta enfrenta uma coalizão de estados americanos que a acusam de criar produtos viciantes de forma deliberada. O risco financeiro é gigante, podendo chegar a US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) em multas.
Uma eventual derrota pode forçar mudanças drásticas no modelo de negócios do Facebook e do Instagram. A empresa admite que usuários têm experiências negativas, mas diz que criou recursos para mitigar os riscos.
O advogado da Meta, Paul Schmidt, defendeu que a empresa reconheceu as dificuldades e tentou desenvolver ferramentas de auxílio. No entanto, a acusação foca no fato de tais ferramentas serem, muitas vezes, ineficazes.
Comparação com a indústria do tabaco
Especialistas traçam paralelos entre este caso e os processos contra fabricantes de cigarro nos anos 90. Naquela época, as empresas foram punidas por esconder os riscos de dependência e danos à saúde de seus produtos.
A procuradora Megan O’Neill descreveu a estratégia da Meta como uma forma de atrair usuários e coletar dados escondendo a verdade. O próprio Mark Zuckerberg e Adam Mosseri podem ser chamados para prestar depoimentos.
O procurador Phil Weiser destacou que as autoridades estão agindo em uma área onde o Congresso não atuou. O foco principal é o marketing voltado para menores, que prejudicaria a saúde pública de uma geração inteira.
A defesa da Meta e os próximos passos
A Meta nega as acusações e insiste que trabalhou com pais e especialistas para criar mecanismos de proteção. A empresa afirma que ferramentas como lembretes de pausa são passos importantes para o bem-estar digital.
O julgamento deve durar seis semanas e terá um impacto profundo em todo o setor de tecnologia. Se as teses de vício em redes sociais forem aceitas, a regulação da internet para menores poderá mudar para sempre no mundo.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original através deste link: Estadão | Algumas ferramentas de segurança da Meta foram projetadas para falhar, diz ex-funcionário







