A América Latina vive um momento de forte aceleração nas captações internacionais, alcançando mais da metade do volume registrado no ano passado, que já havia sido um período recorde para as emissões.
Especialistas apontam que, mesmo com a volatilidade global e as tensões geopolíticas, o apetite por títulos da região continua elevado, impulsionado por uma liquidez abundante no cenário financeiro.
Essa movimentação demonstra uma busca incessante por rentabilidade em mercados emergentes, conforme as informações detalhadas em reportagem publicada originalmente pelo Estadão.
Resiliência do mercado de dívida externa em meio ao caos global
Apesar das incertezas que cercam o cenário geopolítico mundial, o mercado de dívida externa tem demonstrado uma resiliência surpreendente, superando expectativas de analistas e grandes bancos.
Adrian Guzzoni, Head Latam de Debt Capital Markets do Citi, afirma que, “Apesar das notícias geopolíticas, o mercado está muito resiliente”, destacando que conflitos e variações no petróleo não frearam os bonds.
Até o momento, a América Latina já captou cerca de US$ 121 bilhões, o que representa 60% do recorde histórico de 2025, sinalizando que o ano pode terminar com números extremamente positivos para a região.
O protagonismo de Chile, Uruguai e Argentina
Enquanto o Brasil enfrenta certa cautela, vizinhos como Chile e Uruguai aproveitaram janelas estratégicas para captar bilhões em euros e dólares, acessando investidores que buscam estabilidade e bons retornos.
O Chile realizou uma captação superior a 3 bilhões de euros, enquanto o Uruguai levantou US$ 1,7 bilhão. Até empresas argentinas, como a Petroquímica Comodoro Rivadávia, conseguiram atrair demanda bilionária no exterior.
Para Samy Podlubny, do UBS-BB, a explicação é direta: “O investidor tem liquidez, precisa investir em mercado emergente e a região mais estável é a América Latina”, consolidando a preferência dos fundos globais.
A queda na participação do Brasil e as incertezas locais
Mesmo com um volume total de US$ 20 bilhões captados, o Brasil viu sua fatia no bolo dos emergentes cair de 21% para 19%, refletindo as hesitações do mercado com o cenário interno e as próximas eleições.
Analistas explicam que a ausência de novas ofertas brasileiras em períodos recentes se deve à volatilidade doméstica. Investidores agora olham com lupa para os setores que possuem dinâmicas similares aos mercados desenvolvidos.
O interesse crescente vem de casas chamadas de cross over, que buscam a “gordura” dos rendimentos latino-americanos, já que os retornos em papéis dos Estados Unidos e da Europa sofreram quedas dramáticas recentemente.
Expectativa de retomada e fila de empresas para setembro
Apesar do recuo momentâneo, o cenário para os emissores brasileiros não é de fechamento total. Casos isolados de crédito não são vistos como um problema sistêmico que impediria boas empresas de acessarem recursos lá fora.
Acredita-se que o movimento atual seja circunstancial. Segundo executivos do UBS-BB, existe uma fila de empresas se formando para levantar recursos a partir de setembro, focando em reorganizar passivos e aproveitar janelas favoráveis.
Companhias como Alloha e Oceânica Oil Services já deram o passo inicial, mostrando que, embora o custo possa ser mais elevado, o mercado internacional continua aberto para quem apresenta projetos sólidos e boa governança.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo






