O agronegócio brasileiro está passando por uma transformação estratégica em suas áreas de cultivo. O que antes era dominado exclusivamente por grãos, agora abre espaço para fileiras de florestas plantadas em larga escala.
A Girassol Agrícola, gigante de Rondonópolis, está liderando esse movimento ao expandir drasticamente sua produção de eucalipto. O motivo é financeiro: a rentabilidade da madeira chega a superar as culturas tradicionais.
Com um faturamento que ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, a empresa foca agora no mercado de biomassa para atender a crescente demanda das usinas de etanol de milho, conforme divulgado pelo Estadão.
Girassol Agrícola aposta na produção de eucalipto para atender usinas de etanol e lucrar mais que com grãos
Rentabilidade superior ao cultivo de soja
Atualmente, a Girassol Agrícola mantém 30 mil hectares de soja e 17 mil de milho, mas é o eucalipto que tem ganhado destaque. A meta da companhia é atingir 14 mil hectares de árvores plantadas nos próximos anos.
Segundo Gilmar Meneghini, CEO da empresa, cada hectare de floresta plantada rende quase o dobro da soja no mesmo período. O investimento inicial é mais alto e o retorno é demorado, mas o lucro final compensa a espera.
A empresa projeta que a receita vinda exclusivamente da floresta própria cresça de forma acelerada. Após faturar R$ 80 milhões em 2025, a expectativa é chegar a R$ 150 milhões já em 2027 com a colheita das árvores.
Demanda por biomassa e energia limpa
O foco no eucalipto visa suprir a necessidade das usinas de etanol em Mato Grosso. Essas indústrias utilizam a madeira como combustível essencial para a secagem de grãos e a geração de energia térmica no estado.
A demanda por biomassa em solo mato-grossense deve saltar de 6,2 milhões para 10 milhões de toneladas até 2030. Além disso, a partir de 2035, haverá restrições severas ao uso de madeira proveniente de desmatamento.
Para garantir o plano de expansão, a Girassol deve investir R$ 80 milhões em novos plantios. O retorno é esperado em sete anos, o que exige linhas de crédito diferenciadas, como as estudadas em parceria com o Itaú BBA.
Crédito recorde e insumos globais
O cenário para o setor é favorecido pelo aumento do crédito via BNDES. O banco aprovou R$ 24,8 bilhões para o agronegócio no primeiro semestre, um salto de 46% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto o crédito flui internamente, gigantes globais como a Yara movimentam o mercado de fertilizantes. A companhia usará uma nova unidade na Inglaterra para produzir bioinsumos voltados especificamente ao mercado brasileiro.
O Brasil deve representar mais da metade da margem global da Yara em bioinsumos até 2030. Esse movimento reforça a posição do país como peça central na estratégia das maiores empresas de tecnologia agrícola do mundo.
Novos mercados para a carne brasileira
Além das florestas e insumos, o setor de proteína animal também celebra conquistas. A Malásia abriu as portas para os miúdos bovinos do Brasil, um passo estratégico para ampliar a presença nacional em todo o continente asiático.
Roberto Perosa, presidente da Abiec, afirma que o grande alvo continua sendo a China. Os avanços sanitários recentes do Brasil dão fôlego extra para que o país conquiste fatias de mercado hoje dominadas pela Austrália.
A fonte original desta notícia é o Estadão, conforme detalhado na matéria disponível no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







