O mundo econômico atravessa um momento de transição profunda, onde a tecnologia de ponta dita o ritmo das finanças globais. A falta de atenção com o avanço da Inteligência Artificial pode custar caro para as nações.
Atualmente, governos e empresas lidam com o desafio de integrar novas ferramentas enquanto tentam equilibrar as contas públicas. O impacto dessa transformação já é sentido no mercado financeiro e no bolso do cidadão comum.
A corrida tecnológica exige investimentos massivos, mas o retorno em produtividade ainda parece um sonho distante para muitos setores. Conforme divulgado pelo Estadão, o custo de ignorar essa revolução é crescente.
Os desafios econômicos da revolução da Inteligência Artificial
Após uma escalada constante neste ano, os títulos de 30 anos em países como Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido estão próximos de suas máximas desde a crise financeira global ocorrida entre 2007 e 2009.
Os culpados por esse cenário são evidentes, a inflação ainda não foi totalmente controlada, o que impede os bancos centrais de reduzirem as taxas de juros. O Japão, inclusive, está abandonando suas políticas monetárias expansionistas.
O cenário dos juros e a inflação persistente
Os enormes déficits orçamentários dos países desenvolvidos mostram poucos sinais de redução, aumentando a possibilidade de que os governos forcem os bancos centrais a inflacionar suas dívidas para aliviar a pressão financeira.
Agitações geopolíticas e tarifas elevadas aumentam a compensação pelo risco exigida pelos investidores. Para piorar, Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, cometeu um deslize em seus primeiros encontros com o mercado.
As altas taxas representam um problema crítico. Cada aumento de um ponto porcentual nas taxas de juros dos títulos americanos custa ao país pagamentos extras equivalentes a 1,3% do PIB anual em uma década.
Investimentos bilionários e a produtividade
Os governos parecem apostar no crescimento econômico para pagar as contas, o que hoje significa apostar na Inteligência Artificial. O problema é que o crescimento acelerado costuma trazer juros e rendimentos mais altos.
A enorme escala de investimento em data centers, estimada em US$ 1 trilhão este ano pelo Goldman Sachs, está tornando o capital mais escasso. No entanto, a IA ainda não impulsionou a produtividade de forma mensurável.
Pode demorar décadas até que a computação aumente o crescimento de forma perceptível. Os problemas fiscais da Europa podem piorar se a IA trouxer crescimento apenas para os Estados Unidos, elevando as taxas de juros globais.
Impactos no mercado de trabalho e defesa
Se o aumento de produtividade da IA for grande o suficiente para transformar as contas fiscais, é provável que ocorra uma enorme ruptura no mercado de trabalho, gerando mais gastos com trabalhadores desempregados.
A renda também pode migrar do trabalho para o capital, que costuma ser menos tributado. Além disso, caso a Inteligência Artificial desencadeie uma corrida armamentista, os países precisarão elevar os gastos com defesa.
Até a perspectiva de uma maior expectativa de vida, impulsionada por avanços científicos, aumentaria os gastos públicos com pensões. Economistas calculam que esses fatores poderiam reduzir pela metade o impacto positivo da tecnologia.
A aposta arriscada nos títulos públicos
A última vez que o mundo desenvolvido apresentou superávits orçamentários foi na virada do milênio. Isso exigiu um rápido crescimento da produtividade impulsionado pelos computadores e pelos primórdios da internet comercial.
Sem disciplina fiscal, investir em títulos públicos passa a ser uma aposta na Inteligência Artificial tão arriscada quanto apostar em ações de empresas de tecnologia instáveis, exigindo cautela extrema dos investidores atuais.
A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e você pode conferir a matéria completa clicando aqui: Estadão.







